Metade da população mundial pode ter o vírus HPV


- Por: Reciel Rocha

Metade da população mundial pode ter o vírus HPV

Existem mais de 150 subtipos diferentes do vírus, 12 deles estão associados a vários tipos de câncer, principalmente na região genital

O vírus HPV (Human Papiloma Vírus) é altamente contagioso. Estima-se que a metade dos homens e mulheres de todo o mundo possam ter algum tipo do vírus. A transmissão pode ocorrer em contato direto com a pele ou mucosa infectada, principalmente pela via sexual.
Conforme informações do Ministério da Saúde, dos mais de 150 subtipos existentes, 12 deles estão, segundo a literatura científica, associados aos cânceres do colo do útero, de pênis, de orofaringe e, até mesmo, de câncer reto-anal apresentando maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e estar associados a lesões
precursoras.
No Brasil, há predominância na circulação de quatro subtipos que atingem tanto homens quanto mulheres.
Conforme informações do INCA - Instituto Nacional do Câncer - dentre os HPV de alto risco oncogênico, os tipos 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero. Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% dos condilomas genitais e papilomas laríngeos, são considerados não oncogênicos e associados às verrugas genitais.
“As lesões causadas pelo HPV habitualmente regridem por ação do sistema imunológico. O período de incubação
é de dois a oito meses, mas pode ser prolongado por até 20 anos. A ocorrência das alterações celulares para a
transformação em células cancerígenas pode levar de 10 a 15 anos”, explica o médico urologista, dr. Gustavo
Cruz.
Algumas medidas podem ajudar na prevenção, como evitar contaminação durante o ato sexual: redução do número de parceiros; uso de preservativos; e boa higiene genital, e através da vacina do HPV do tipo quadrivalente recombinante (proteção contra HPV tipos 6,11,16 e 18), já introduzida em 51 países como estratégia de Saúde Pública e que tornou-se importante aliada na redução dos casos de câncer na mulher e no homem assim como das verrugas genitais.
O diagnóstico do HPV é feito durante exame clínico, onde são verificadas e identificadas as lesões verrugosas típicas. Caso haja dúvida, pode ser feita a peniscopia – aplica-se ácido acético sobre a zona a ser examinada e, com o uso de
uma lente de aumento ou colposcópio, identifica-se as lesões suspeitas, que podem ser biopsiadas e submetidas à análise histológica pelo patologista.
No caso das lesões não visíveis, é possível realizar o exame com métodos moleculares para diagnóstico de lesões subclínicas - chamados de captura híbrida e a reação em cadeia da polimerase (PCR), que procuram identificar o DNA viral. Este método possui um alto custo, por isso é utilizado principalmente, além da peniscopia, nos parceiros assintomáticos de mulheres nas quais foi identificado o HPV.
Após o diagnóstico, se necessário, o médico indicará o tratamento mais adequado.

Fatores de risco:
- Início precoce da atividade sexual;
- Fumante pesado;
- Outras DST’s ou IST’s
concomitantes;
- Múltiplos parceiros(as); - Uso de anticoncepcionais (mulheres) durante longo
tempo;
- Imunidade diminuída.

 

Dr. Gustavo Zepka Cruz
Médico Urologista graduado pela Fundação UFRS, Residência médica em cirurgia geral no hospital São Vicente
de Paulo/RS e Hospital das Clínicas de Porto Alegre. Também foi Preceptor da Residência Médica de Urologia do Hospital Central da Aeronáutica. Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e Membro da Sociedade Europeia de Urologia.

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