Existir é sentir. 


- Por: Redação 2

Existir é sentir. 
(Foto: pixabay)

Há dicionários dos sentimentos e emoções humanas tamanha a quantidade e complexidade dessas manifestações de humanidade. Muitas vezes nem conseguimos descrever o que estamos sentindo, considerando a complexidade de nosso sentir. Poderíamos enumerar uma lista gigante, uma vez que podem aparecer mesclas de sentimentos e emoções contraditórias se manifestando ao mesmo tempo. Vamos falar de algumas mais nomeadas nos últimos meses. Angústia, medo, tristeza e insegurança por exemplo.

Dadas as circunstâncias do momento estas manifestações são normais e saudáveis. Hábitos modernos de supervalorização da felicidade e da alegria, todavia, nos fazem sentir uma certa culpa por termos essas emoções e sentimentos considerados negativos como se estivéssemos doentes por nos sentirmos assim. É claro que é possível estarmos felizes e alegres, mas não assumir que estamos tristes, angustiados e inseguros é negar a autenticidade do que sentimos e isso pode ter consequências bem ruins.

O sentimento de solidão e desamparo são dois exemplos. Sofrer em momentos de perda é normal e saudável se este momento for visto como a oportunidade de manifestarmos o que temos de mais bonito. Nossa humanidade.

Nós somos capazes de expressar o sentimento de solidariedade. Este sentimento nos leva a ações de empatia, acolhimento, apoio. Vejamos as inúmeras ações e agrupamentos de pessoas com o intuito de auxiliar aqueles que estão sofrendo e em condições mais difíceis do que nós. Negar que estamos tristes pela perda do mundo “normal” em que vivíamos é que pode ser negativo, uma vez que nos leva a indiferença, despreocupação e falta de cuidados necessários neste momento. Se a tristeza sentida inviabilizar as atividades diárias é necessário procurar ajuda de grupos de apoio, de pessoas de confiança, de profissionais de saúde como psicólogos ou psiquiatras.

Participar de ações solidárias, artísticas, espiritualistas, atividades humanas construtivas, pode ser uma possibilidade de lidar com situações dolorosas do momento e a não nos sentirmos tão solitários. Na realidade não estamos sós. Estamos todos em condições de ouvirmos uns aos outros,  com carinho, cuidado, respeito. Podemos propor ações ou apoiar as que já existem e prol de nos ajudarmos mutuamente a atravessar esse momento difícil.

É temporário. Vai passar. Tudo passa. E pode ficar em nossas vidas nos fortalecendo e nos tornando resilientes nossos atos de amor. 

Ercília Monção
Psicóloga CRP 08/22784

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