Comunicação e Fundação Cultural iniciam série sobre os artistas de Foz


- Por: Redação 1

Comunicação e Fundação Cultural iniciam série sobre os artistas de Foz

A arte possui diversas formas de se manifestar e todas elas recebem uma carga de pessoalidade, individual a cada artista, que emprega vivências, memórias e técnica a favor de uma mensagem. 
Os textos irão contemplar personagens dos mais variados segmentos, como as  artes visuais, artes cênicas, arte circense, dança, música, cinema e também a arte contemporânea. Serão perfis, características de trabalho e a apresentação de profissionais, naturais de Foz ou não, que encontraram por aqui uma vitrine para mostrar seus trabalhos ao mundo. 
“Há 36 anos, é isso que a Fundação Cultural de Foz do Iguaçu promove. O encontro entre todas essas formas artísticas com a população. Contar um pouco sobre essas pessoas, que tanto se dedicam à cidade, pode ser o próximo passo da nossa evolução enquanto produtores culturais”, disse o diretor-presidente da Fundação Cultural, Juca Rodrigues. 

 Trabalho da Fundação Cultural
Na atual gestão, a autarquia realizou uma série de promoções da cultura local, entre elas a aplicação dos recursos da Lei Aldir Blanc para atender aos artistas que foram afetados pela pandemia de Covid-19.
Em um novo edital, deverão ser contemplados novos artistas, para fortalecer ainda mais o setor no município. “Ter apoio para criar estratégias e trabalhos de promoção à cultura é primordial. Felizmente é isso que encontramos na atual gestão e, por isso, não vamos medir esforços para transformar Foz do Iguaçu em um polo cultural”, declara Thaisa Praxedes, diretora de cultura.
Conheça o Primeiro Artista da Série 
Miguel Hachen, o artista que criou uma linguagem própria para falar da tríplice fronteira
Miguel é o criador do Neoguarani e já levou trabalhos para diversos países, além de possuir uma obra marcante em Foz do Iguaçu

No centro de Foz do Iguaçu, na Praça da Paz, há uma obra monumental que conta a história da principal marca da cidade: A lenda das Cataratas do Iguaçu. É o relato sobre do amor proibido entre a bela Naipi e o intrépido Tarobá, que foi modelada, de forma única, pelas mãos de Miguel Héctor Hachen, um artista que reúne quase todas as características da região trinacional e decidiu transformá-las em um estilo artístico próprio: o Neoguarani.

“A linguagem plástica ou estilo Neoguarani surge como uma corrente estética que tenta dar identidade visual e representar as nossas tradições. Somos o resultado de uma mistura cultural com grande influência do povo guarani (tanto em vocábulos da língua portuguesa falada no Brasil, como na culinária e na toponímia regional), que é resgatada nesta forma de expressão artística”, afirma Miguel.  
Grande parte dos diversos trabalhos que Hachen têm realizado são murais em que, segundo o movimento muralista surgido no México no início do século passado, os artistas executam obras monumentais, realistas e de grande compromisso social. 

Reencontro com as raízes
O artista de 58 anos, nascido na Argentina, mas morador de Foz há 31 anos e iguaçuense de coração, retrata em suas obras tudo aquilo que vivenciou, desde a infância, na província de Missiones (Argentina), em contato com a cultura indígena e os povos gaúchos do Rio Grande do Sul. 
A conversa com o artista foi realizada em frente ao painel que ele projetou e finalizou em 2018, após  nove meses de execução, na qual empregou diversos materiais. Ao retomar as lembranças de como o criou, relembra que, na verdade, o Neoguarani como conceito sempre fez parte da sua vida.
Miguel estudou Artes Plásticas na Associação Estímulo de Belas Artes e na Nova Escola de Artes Visuais, ambas em Buenos Aires. Foi durante esse período na capital que percebeu a importância da cultura nas expressões artísticas. 
“Eu nasci no meio do mato. Meu primeiro contato com a luz elétrica foi somente aos 11 anos, quando me mudei para Buenos Aires. Eu morava a poucos quilômetros de uma aldeia Mbyá-Guarani, então tudo o que eu aprendi ali, as vivências da infância, marcaram para sempre. Fui para a capital, estudei arte e voltei para me reencontrar com a minha cultura”. 
Foi nessa epifania que surgiu o Neoguarani. A partir dela, Miguel percebeu que poderia desenvolvê-la em diversas formas de expressão artística, desde que a essência fosse mantida. 
“Posso dizer que ela surgiu ‘sem querer’. Já trabalhava em uma linguagem própria antes dela, que também tinha boa aceitação. Mas comecei a me engajar com o muralismo e percebi que poderia aplicar o conceito Neoguarani em cerâmicas, pinturas e até nas poesias que escrevo sem empregar artigos nem preposições, tal como na língua guarani”. 

A tríplice fronteira levada para longe
As obras criadas pelo artista já foram levadas para países vizinhos da América do Sul, como Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile, seja para realizar exposições, ministrar cursos ou oficinas de arte pública. A Arte Neoguarani também atravessou o oceano para formar parte de acervos na Itália, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Marrocos, dentre outros países. 
“Noutros países as pessoas veem as minhas obras e a identificam com a região. Para minha surpresa, o estilo Neoguarani já foi objeto de estudo em trabalhos de escolas, colégios e até de teses de graduação e doutorado em faculdades de arte como a UBA (Universidade de Buenos Aires) e a Universidade de Alexandria, no Egito. Eu acho sensacional, pois o Neoguarani se espalhou pelo mundo de uma forma que eu nem esperava”. 
Em Foz, além do referido mural na Praça da Paz, Miguel também é o autor de “Ysy, Kuarahy ha Yvytu" (A Mãe Água, o Sol e o Ar), trabalho que remete às origens da região em meio ao polo de tecnologia e desenvolvimento dentro do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). 

AMN /Foto: Welyton Manoel
 

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