Comemoração


- Por: Redação 1

Comemoração

Nunca em toda a história, uma vacinação foi tão comemorada. Todos lembram a primeira picada, quem levou, quem deu e, naturalmente, relembram os efeitos da iniciativa. O fato é que o Brasil, apesar de toda a encrenca, é um dos países que mais cumpriram a tarefa de imunizar a população contra uma doença tão devastadora e enigmática. Provavelmente, a vacina será lembrada como feito heroico, como desviassem um meteoro que iria se chocar com o nosso planeta. 

Devastação
Quem ignora a pandemia certamente não está ligado com a realidade. No Brasil, mais de 620 mil infectados perderam a vida e o dobro desse número ainda se defende das sequelas, debaixo de tratamentos, em grande parte na rede pública, o que demanda recursos. Além desses prejuízos, é difícil avaliar o tamanho do rombo no setor da economia, porque isso não reflete apenas no custo dos produtos. A base de muitas culturas econômicas sofre grandes impactos. 

Pandemia x terremoto
Quando um país enfrenta uma catástrofe sísmica, tsunami, ou um vulcão explode, tudo gira em torno da intensidade; edifícios caem, a população sofre, e, isso afeta o lado material; há força de trabalho e parte-se para a reconstrução. No Japão, por exemplo, tudo anda muito rápido, diferente do Haiti; enfim, há povos mais escolados em eventos assim. No caso de uma pandemia é diferente, porque ocorrem interferências nas relações, interrompendo o fluxo de economias globais, por meio de uma desaceleração brutal. No mais, a doença se arrasta e lá se vão anos de recuperação. É muito complicado. 

Efeito dominó
O que está acontecendo assusta. Uma pessoa contrai a doença, se afasta do trabalho, e, leva um tempo até se recuperar, precisando lidar com as adversidades coletivas; quando as coisas começam a entrar nos eixos, outro membro da família é contaminado, depois outro e assim vai. Daí, surgem as variantes, e à cada descoberta, ameaças de novas paralisações, cancelamentos de voos, interrupção da produção industrial e similares. É um balacobaco!

Tudo junto 
Se por um lado a pandemia mexeu com o preço do petróleo e derivados, porque sacudiu o dólar, e, isso influiu em toda a malha inflacionária, por outro, convivemos com uma crise hídrica sem precedentes; são enormes os aumentos nas tarifas dos serviços. Boa parte da população ainda está pendurada nas subsidiárias de luz e água; juntando moedas para comprar um botijão de gás, colocar em dia as prestações, cartões de crédito, empréstimos bancários e compromissos importantes, a exemplo do aluguel, condomínio, dentre outros.   

Santa vacinação
Por essas e outras, a recuperação se deve à vacinação, que devolve a normalidade, e, é inacreditável que há pessoas duvidando da importância de imunizar a população. Isso é que manda o vírus passear e causa a sua extinção. Anotem: a carteirinha de vacinação, daqui uns tempos, será mais importante que o CPF e identidade. 

Receio
A vacinação das crianças é um avanço e os pais devem colaborar. Devem abandonar as crendices, depositando um pouco mais de fé na ciência. A criança poderá sentir os efeitos da vacinação, no máximo em um ou dois dias, mas depois disso, está bem mais protegia, inclusive com menos riscos de transmitir a doença, o que ocorre com assintomáticos. É confortante saber que um grande porcentual vacinará os filhos. 

Temor
Voltando aos temores econômicos, a onda de infecções em Foz está embranquecendo a cabeça de muitos empresários, sobretudo os que fornecem para o setor de hotelaria. É apavorante imaginar que os estabelecimentos hoteleiros fechem por mais algum tempo. Poucos imaginam o tamanho dessa rede de fornecimento e a força de trabalho que há nela. Boa parte das empresas estão localizadas nos bairros. 

Calor terrível
Olha Corvo, você disse que há pessoas dormindo em frente a geladeira e acredite, acontece. Eu mesmo encho uma bacia de gelo e coloco no ladinho da cama, em cima de uma cadeira. E o problema não é só calor, que ar-condicionado não vence, o dizer ventiladores e outras invenções, mas a secura do ar e coisa de louco. Às vezes parece que não dá para respirar. E nada de chuvas. Que coisa hein? 
Martha Aparecida L. Dias

O Corvo responde: este colunista comentou em outras notas, como lidamos com esta tragédia anunciada. Se as pessoas não acreditavam no aquecimento global, este verão está fazendo muita gente mudar de ideia. Pior do que a conta de luz, é o que a humanidade já paga pela destruição que causou. Teremos verões escaldantes, invernos mais rigorosos, e no meio disso, longos períodos de estiagem. Há quem garanta que o fenômeno causará a extinção de rios e o derretimento das calotas polares, fará desaparecer ilhas e cidades. 

Dádivas indo embora
Nossa geração ainda pode se esbaldar em piscinas, ou se deliciar com a frescura da água; feliz o tempo em que era possível brincar com a mangueira, ou mesmo em situações tão simples, como entrar o tanque de lavar roupa, a lembrança mais feliz da infância de muita gente. As próximas gerações não conviverão com isso. Até o cheiro que terra molhada sumiu, quando cai um chuvisco. 

E mais ainda...
Às vezes chove e ocorrem catástrofes, como em Minas e em outras regiões. Aí as pessoas pensam: de onde é que vem tanta água? São fenômenos explicáveis. O fato é que a estiagem prolongada, causará alterações em muitas paisagens e fará desaparecer até cascatas. Tomara um efeito assim não afete o nosso principal atrativo. Era o que faltava para completar a lista das desgraças.  

Maus tratos
Prezado Corvo, veja a situação: uns piás estavam judiando de uma cadela próximo de casa. Ameacei chamar a GM e os protetores e eles levaram o bicho embora. Devem ter matado. De uns dias para cá, estou sofrendo com pedradas e ontem quebraram uma janela de casa. Pensa a situação? Fui conversar com o pai de um desses meninos e o homem ficou brabo e veio para cima de mim e do meu marido. Como é que pode coisas assim acontecerem hoje em dia? Essa falta de educação...
L.J.M (A leitora pediu para não ter o nome divulgado)

O Corvo responde: chame a polícia, faça um Boletim de Ocorrência, recorra à Justiça; não deixe assuntos assim passarem em branco. Falar com o pai dos supostos envolvidos foi uma atitude socialmente correta, mas se ele não resolver, é possível se utilizar de meios legais mais eficazes. Judiar de um bicho, tacar pedras nas casas dos outros, isso não é atitude digna e merece correção. O Corvo recebe muitas cartas sobre a ação de piás pançudos assim. Só há um caminho para isso: a educação. 

Entronização
Corvo, não entendi bem, os santos já não existem? Então porque precisaram fazer cerimônia para coloca-los na Catedral? Achei muito bonito o que escreveram e gostei das imagens, embora só as tenha visto por meio de fotos. Explica aí, por favor. 
Maria da Conceição R. Tavares

O Corvo explica: entronizar é um ato de enaltecer, de exaltação. É o que acontece quando colocam imagens sagradas em altares ou locais específicos, acompanhados da liturgia cristã, no caso a cerimônia envolvendo uma missa, por exemplo. É um momento importante na composição dos espaços, nas igrejas e catedrais. 

BBB chato
Corvo, você assistiu à estreia do BBB 22? Tudo igual, artistas se misturam com desconhecidos e começam a tramar no primeiro dia, antes mesmo de desfazer as malas. Afinal de contas qual o objetivo de um programa assim? Ensinar as boas regras da convivência ou como sacanear o próximo? 
Talita B. V. Arantes

O Corvo responde: prezada, isso tem nome: entretenimento. A arte imita a vida e é o que acontece quando as pessoas ficam confinadas durante um bom tempo. Para o Corvo, o BBB perdeu um pouco a graça, porque as pessoas experimentaram sensação igual, durante a pandemia, ao precisarem manter o isolamento. Isso é evidente pelo índice de atritos entre casais e famílias. No mais, o programa sempre baterá recordes de audiência, porque todos querem apreciar de perto os requintes da natureza humana. O BBB é um pequeno zoológico humano, visitado por bilhões de pessoas.

 

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