Rogério Bonato

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23 de julho de 2019

Encrenca
Mas Corvo, o que esse Bolsonaro quer? Arranjar encrenca com o Irã, um dos nossos parceiros comerciais, só para fazer bonito para o Donald Trump? Até os americanos, em grande maioria, são contra essa encrenca. O Irã é um país em desenvolvimento e não é mais uma ameaça. O mundo precisa mudar e acabar de vez com essas diferenças.
Antônio Sale

O Corvo responde: pois é, e quem diria, o Brasil entrou nessa crise. E temos muito a perder. O impasse no reabastecimento dos cargueiros Bavand e Termeh, atracados no Porto de Paranaguá com suas cargas de ureia e milho, precisa de solução rápida do Ministério das Relações Exteriores para não pôr em risco uma relação bilateral vantajosa para o país. Somente neste ano, de janeiro a junho, as exportações brasileiras para Teerã somaram US$ 1,3 bilhão. As importações ficaram em US$ 26 milhões. Há negociações preliminares entre governos envolvendo aviões comerciais, a ampliação da planilha de produtos agrícolas e a venda de serviços.

 

Veículos estrangeiros
Não está errado fiscalizarem veículos argentinos e paraguaios em Foz do Iguaçu. A frota oriunda além-fronteira não é pequena e boa parte não apresenta boas condições de rodagem; circula com pneus carecas; derrama óleo e combustível na pista; ocupa vagas de estacionamento sem pagar; causa problemas no trânsito, porque não respeita as leis, por isso os veículos devem enquadrar-se, sobretudo quando geram dívidas. Em outras palavras, os brasileiros pagam um IPVA extorsivo para os nossos vizinhos rodarem de graça. Por esse aspecto, Foz é muito receptiva; logo, fiscalizar é uma obrigação. Quem não deve não tem o que temer.

 

Custo e benefício
Muitos empresários e pessoas que mantêm relações comerciais com cidadãos dos outros países reclamam do excesso na fiscalização, pois é comum ver blitz até em horários de pico. “Essas pessoas não pagam multas e nem impostos no Brasil, mas ajudam muito a roda girar no comércio, com isto a cidade gera empregos, distribui riquezas. Os estrangeiros são uma parcela importante na máquina produtiva”, disse um empresário, que pediu para não ser identificado. E ele não está errado. O que poderia haver é encontrarem uma outra maneira de enquadrar os infratores. Segundo informações, durante uma blitz, cerca de 15% dos veículos apresentam problemas. Os outros 85% estão regulares, e seus donos ficam muito irritados.

 

R$ 1 milhão por ano
Conforme matéria de capa, publicada na edição de ontem e com direito a destaque principal, os proprietários de veículos estrangeiros devem ao Foztrans cerca de R$ 15 milhões em multas aplicadas ao longo dos últimos 15 anos. “Não é muito dinheiro para tanto transtorno, defende um empresário. Numa das blitze, na semana passada, o órgão apreendeu cerca de 30 veículos e aplicou mais R$ 12 mil em multas.” Segundo revelou o Robson Souza, diretor do Foztrans, “essas atividades ocorrem duas vezes por semana, e a intenção é ‘cobrar’ as multas aplicadas em veículos estrangeiros e, assim, acabar com a sensação de impunidade, porque muitos condutores acreditam que estão imunes à aplicação da legislação de trânsito em nosso território”. Em outras palavras, são multas que geram mais multas e um custo de permanência dos veículos apreendidos nos pátios.

 

Reciprocidade
O fato dos motoristas estrangeiros serem observados e multados está causando um fenômeno de três vertentes. Na primeira, nossos vizinhos cuidam mais dos veículos e da condução, para tentar evitar multas; na segunda, desistem de atravessar a fronteira; e na terceira, pressionam as autoridades de seus países quanto ao aperto do cerco aos brasileiros quando estes atravessam as pontes. Convenhamos, nossos queridos vizinhos são bem mais duros e exigem muito mais em matéria de componentes do veículo. Onde se viu precisar manter uma “mortalha” no porta-malas! É aí que surge a dúvida sobre o que veio antes, ovo ou galinha? As cobranças do lado brasileiro começaram muito depois das duras que levamos na Argentina e Paraguai. O fato é que, independentemente do país, veículos devem rodar com a documentação em dia e com os critérios vigentes no campo da segurança.

 

Multa pesada
O Facebook levou uma baita multa por não ter colaborado com a Polícia Federal em Foz do Iguaçu. O órgão quer informações importantes para o combate ao tráfico de drogas. A rede social, por sua vez, defendeu-se da decisão de pagar uma paulada de R$ 2 milhões e, não concordando com a penalização determinada pela Justiça Federal em Foz do Iguaçu, recorreu, mas o julgamento deve acontecer no próximo dia 1º de agosto, no Superior Tribunal de Justiça, o STJ.

 

Foi em 2015
Naquele ano, as autoridades pediram que a empresa do jovem bilionário Mark Zuckerberg fornecesse conversas do aplicativo WhatsApp entre investigados por tráfico de drogas. O “zap-zap” pertence ao “Face”. Para ganhar tempo e tentar encontrar uma solução de escapar da penalização, a filial brasileira largou a batata quente nas mãos dos americanos, alegando que a base de armazenamento e registro das conversas acontece nos Estados Unidos.

 

Retaliação
Há gente que sofre de ansiedade para fazer maldade. Ontem pela manhã, alguém havia espalhado que o Facebook e signatários bloqueariam os usuários de Foz, em retaliação ao ocorrido na Justiça. Isso é fake news! Os usuários são o bem mais precioso das redes sociais; logo, fazê-los pagar o pato seria um tiro no pé. E aqui entre nós, o que não falta em rede social é gente querendo “se aparecer”, com fuzil, armas na cintura e pinta de mano tatuado. Se as redes sociais são uma pista eficiente para combater o crime, a Polícia Federal tem mais é de usar.

 

Sem face
Mas não custa imaginar o que seria a vida de muitas pessoas sem as redes sociais. As socialites falidas não teriam onde se exibir, mostrando a cirurgia plástica ou a bolsa de R$ 20 mil, comprada com o dinheiro da indenização dos funcionários. Também não saberíamos sobre as viagens para Bariloche, Chile, Europa; idas ao cassino e badaladas festas… Que barbaridade!

 

Aniversário
A gloriosa Rádio Cultura de Foz do Iguaçu comemorou aniversário ontem! Aqui vai um grande abraço do Corvo ao veículo mais antigo em atividade na fronteira, 63 anos! A emissora, fundada pelo major Acylino de Castro, em 1956, passou a funcionar nas dependências do Hotel Cassino, na Praça Almirante Tamandaré. O major e vários empresários optaram por instalar a rádio provisoriamente numa salinha em cima da cozinha, no primeiro andar do sofisticado estabelecimento hoteleiro. O caso é que era normal ouvir um tipo de interferência, um toc-toc-toc ao longo da programação. O major mandou chamar um técnico de Curitiba, e nada de descobrirem o problema. E vieram especialistas até do Rio de Janeiro, e o ruído não desaparecia. Bem perto de uma briga na Justiça com o fabricante do transmissor, o falecido Estanislau Zambrzycki foi conhecer a emissora e descobriu a natureza do terrível problema: era o cozinheiro do hotel, que fazia barulho toda a vez que batia os bifes antes de fritá-los.

 

Rivalidade
E as batidas no bife continuaram até a sede da Rádio Cultura ser estreada, na Rua D. Pedro II. E quem diria, Estanislau Zambrzycki, o homem que desvendou o problema técnico da emissora, era também o maior concorrente dela. Antes da radiofonia, ele possuía um potente serviço de alto-falantes que abrangia boa parte do centro da cidade. A nova sede teria sido inaugurada por ninguém menos que o governador Moisés Lupion. Como ele precisou deslocar-se de avião, começou a planejar a construção definitiva da BR-277, que seria entregue apenas em 1969. A Rádio Cultura foi dirigida por décadas pela viúva do major, a Dona Rosa Cirillo, depois pelo seu filho adotivo, o também saudoso Toninho. Hoje a emissora pertence aos irmãos Moacir e Mauro Hanzen e ao empresário Veraldo Barbieri.

 

História viva
As histórias que envolvem a rádio não são poucas, pois a emissora é inconteste a maior testemunha dos fatos desde os anos 50. O acervo de fotos de Dona Rosa era algo fabuloso, a começar pelos programas de auditório realizados na Rua D. Pedro II, onde a cidade toda se encontrava. O incrível é que hoje, com toda a tecnologia, ninguém consegue vencer a velocidade do rádio, nem mesmo a internet!

 

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