Passeio revela cultura quilombola e natureza exuberante no Parque Nacional

A região Oeste do Paraná ganhou um novo atrativo que alia cultura e natureza. A Comunidade Quilombola Apepu, localizada em São Miguel do Iguaçu, oferece um passeio de imersão que conduz visitantes por trilhas históricas e paisagens preservadas da Mata Atlântica. A experiência inclui caminhada por antigas rotas quilombolas, banho de rio e um almoço caseiro preparado pelos moradores.

No último sábado, um grupo de turistas e jornalistas de Foz do Iguaçu e região percorreu o roteiro, que começa no Iguaçu Secret Falls e segue por 37 km em veículo off-road até a comunidade. De lá, a jornada continua a pé pela Trilha Apepu e retorna pela Trilha Aurora, em homenagem a uma das fundadoras do quilombo.

A primeira parada acontece na capela da comunidade, onde estão sepultados ancestrais que ajudaram a construir a identidade local. “Foi um dia especial no Parque Nacional, algo que estava extinto e agora podemos oferecer. Estamos prontos para receber todos que quiserem voltar. A nossa comunidade tem muito para contar, histórias dos nossos avós, lendas, conhecimento sobre as plantas e os animais”, afirma Beto Correia, líder comunitário.

A trilha de 6.680 metros leva os visitantes a cenários onde a biodiversidade se revela. Árvores centenárias, espécies nativas e o som dos animais acompanham a caminhada, que inclui paradas para banho no Rio Apepu e no imponente Rio Iguaçu. “Foi incrível conhecer o Parque Nacional de dentro, as riquezas da Comunidade Quilombola e a cultura. O almoço estava delicioso, recomendo muito o passeio”, conta Daiane Apel, que levou seus filhos adolescentes.

Para alguns, o trajeto é feito sobre duas rodas. Poliana e Rafael, moradores da região, optaram pela bicicleta. “Eu sou da Comunidade, mas moro em Foz do Iguaçu. Nós decidimos fazer todo o passeio de bike. É uma experiência incrível, algo que todos vão gostar”, relata Poliana. O percurso pode ser feito a pé ou de bicicleta, mas motos não são permitidas.

A origem do nome Apepu está ligada à tradição dos antepassados. Segundo Beto Correia, a laranja Apepu, comum na região, era utilizada para produzir aromas e perfumes. “Eles cozinhavam as folhas, o caule e a flor da Laranja Apepu para extrair esses aromas. Assim, a comunidade recebeu esse nome”, explica.

O passeio é acompanhado por instrutores que garantem a segurança dos visitantes. Capacetes e coletes salva-vidas são obrigatórios, e recomenda-se o uso de roupas adequadas, como calçados fechados e calças compridas para evitar picadas de insetos. Levar água, protetor solar e repelente também é essencial.

A Comunidade Quilombola Apepu preserva tradições que remontam aos antigos quilombos brasileiros, locais de resistência formados por africanos escravizados fugitivos durante o período colonial. Além da agricultura e da pesca, esses grupos mantiveram costumes e saberes que atravessam gerações, fortalecendo a identidade afro-brasileira.

Mais informações: 45 99848-0390

  • Da redação com assessoria
  • Foto: Francisco Amarilha

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