Prefeitura homologa tombamento do Colégio Bartolomeu Mitre
A Prefeitura de Foz do Iguaçu homologou o tombamento do Colégio Estadual Bartolomeu Mitre como patrimônio histórico municipal. Criada em 1927, a escola é a mais antiga da região e passa a ser o segundo bem oficialmente tombado na cidade. A decisão foi baseada na resolução do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Cepac), que já havia colocado o prédio sob regime de preservação em junho de 2024.
O decreto assinado pelo prefeito Silva e Luna (PL) determina que qualquer intervenção no edifício, incluindo construções, demolições ou alterações paisagísticas no entorno, deve seguir as normas do tombamento. “Estamos articulando uma cerimônia no Marco das Três Fronteiras e poderemos fazer o mesmo com o Bartolomeu Mitre. São duas etapas burocráticas”, afirmou o presidente do Cepac Pedro Louvain.
O primeiro bem tombado foi o Obelisco do Marco das Três Fronteiras, que será inscrito no Livro do Tombo antes do registro cartorial. O Colégio Mitre agora se junta a uma lista de nove patrimônios em processo de tombamento, incluindo o prédio da Fundação Cultural, o Palácio das Cataratas (sede da Prefeitura), Teatro Barracão e o Bosque dos Macacos. Outros imóveis históricos, como a Casa dos Padres e a antiga sede da Polícia Federal, também estão sendo analisados.
História do Colégio Mitre
Fundado inicialmente como Grupo Escolar Doutor Caetano Munhoz da Rocha, o colégio foi rebatizado nos anos 1930, possivelmente em homenagem ao general argentino Bartolomé Mitre. Em 1952, passou a ocupar sua atual sede na Avenida Jorge Schimmelpfeng.
Pesquisadores destacam o papel do Mitre no desenvolvimento da educação na cidade. “Em 1944, durante o governo estadual de Manoel Ribas, através do decreto n.º 282, foi criado oficialmente o Grupo Escolar Bartolomeu Mitre, primeiro estabelecimento de ensino público em Foz do Iguaçu”, registram Denise Kloeckner Sbardelotto e João Jorge Correa no estudo “Ocupação Republicana no Oeste do Paraná”.
Próximos passos
O Cepac identificou 11 medidas necessárias para fortalecer a política de patrimônio cultural em Foz do Iguaçu, incluindo a regulamentação de incentivos a proprietários de imóveis tombados, a criação de um Fundo Municipal para preservação e a elaboração da Política Municipal do Patrimônio Cultural. Outra prioridade é a desapropriação das Casas dos Schinke para restauro e conversão em museu.
“Ainda que tenham ocorrido avanços em 2024, um esforço coletivo em diversas frentes de trabalho será necessário para a efetiva implementação de uma política pública de salvaguarda do patrimônio cultural de Foz do Iguaçu com a complexidade e qualidade que nossa cidade merece e precisa”, enfatiza Louvain no relatório do Cepac.
- Da redação
- Foto: arquivo