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Semáforos concorridos
Prezado senhor Corvo, desejo-lhe uma ótima semana. Mas passo aqui para lhe fazer uma pergunta: você já teve o prazer de parar no semáforo do cruzamento entre a Avenida Paraná e a José Maria de Brito? Na tarde de sábado parei lá e vi um festival de situações de preocupar. Havia pessoas colhendo recursos para a realização de uma sopa para carentes, vendedores de frutas, malabaristas bolivianos, vendedores de chipas, vendedores de doces, vendedores de panos de prato, pedintes venezuelanos, crentes querendo conversar em nome de Jesus… Puxa vida, aquele povo rodeava o veículo, com mãos entrando por todos os lados. Como permitem isso? A gente sai pelas ruas para passear e não para se estressar com esse tipo de situação. Pergunto: a prefeitura concede licença para essas pessoas?
Valdelino Francisco de Souza

O Corvo responde: no final de semana não foi possível apurar que há algum tipo de autorização para as atividades, mas este colunista pode assegurar que isso acontece faz muito tempo, possivelmente desde quando Santos Dumont visitou a cidade. Alguns semáforos, a começar pelo mencionado, são quase uma feira livre. E saiba, há quem saia pela cidade para comprar esses produtos, porque em geral são mais baratos, como é o caso dos panos de prato. As pessoas precisam trabalhar e ultimamente a disputa de espaço nas ruas não é pequena. Há garçons com gravata borboleta vendendo água nas tardes escaldantes de verão.

 

No supermercado
Corvo, faz muitos anos que dedico a minha tarde de sábado para ir aos supermercados. Quando cheguei ao estacionamento, um moço pediu se eu poderia comprar leite ou um pacote de fraldas. Ele já havia me abordado várias vezes, em outras ocasiões. Entrei, fiz as compras e ao sair lá estava ele me olhando com cara triste. Francamente, esqueci as fraldas e o leite, até porque isso não estava na minha listinha e na minha idade está fácil esquecer as coisas. Lamentei, e o moço sentou-se no meio-fio. Foi quando me ocorreu uma ideia e fui falar com ele: “Moço, pelo visto você está desempregado”. Ele concordou. Daí falei: “Vamos lá em casa, é bem pertinho daqui e você me ajuda em algumas coisas, como dar uma esfregada nas calçadas, recolher umas folhas que caem das árvores e dar uma carpida no jardim, para tirar uns matinhos que estão crescidos”. Corvo, acredite, o rapaz carpiu foi fora, disse que naquele momento estava ocupado. Ocupado com o quê? Impressionante isso!
Marialva Ribeiro

O Corvo responde: prezada professora, há uma leva de pedintes na porta dos supermercados, e isso está causando constrangimento aos frequentadores e demais pessoas que economizam para comprar as coisas de casa. Muitos se submetem a pedir porque, de fato, necessitam, mas há também malandragem, como é o caso de pedir fraldas e depois vender para receptadores, que “colocam” esses produtos em outros locais, pelos bairros, a preços bem inferiores. O mesmo ocorre com o leite em pó, que não é um artigo barato. É normal ver pessoas assim agindo em frente às farmácias do centro da cidade. Alguns casos acabaram na polícia, como o exemplo de um cidadão oportunista que encheu uma van de produtos nas proximidades de um supermercado. As pessoas sentem pena, são solidárias e há quem se aproveite disso. É triste, mas é verdade. As redes de supermercados ajudam, e muito, quase todas as entidades de Foz repassando produtos para amparo de carentes.

Gente feliz
O Corvo fez questão de acompanhar o trabalho de uma rede fabulosa de voluntários em Foz. Uma cadelinha foi abandonada na Região Sul. Uma pessoa acolheu o bichinho, deu banho, tratou com o maior carinho e colocou o nome de Taila. Dias depois, a charmosa cadelinha foi morar numa “casa de passagem”, de outra pessoa que se preocupa muito com os animais de rua. Aguardaram a realização de feira de adoção e, com a ajuda de mais uma voluntária, Taila foi arriscar a sorte. Todo o processo durou cerca de dois meses e ao longo do tempo as pessoas investiram em ração, vacinas, banhos e tosas, roupinhas, veterinário e providenciaram a castração do bichinho. No último sábado, a simpática cachorrinha foi adotada por um jovem casal; terá uma vida digna, alegrará a família e não sofrerá mais com o cruel abandono. Tomara que outros animais encontrem o mesmo destino!

Manifestações
Como sabemos, o pau quebrou, no início da tarde de sexta-feira, e o Corvo estava bem ao lado da encrenca, tentando levar a filhota à Unimed. Os ânimos se excederam na tentativa de paralisação do transporte, com o bloqueio no terminal urbano. O clima ferveu em frente ao Bosque Guarani, que se transformou numa praça de guerra. Este jornalista tem uma visão simplificada do acontecimento: manifestar faz parte, mas impedir o direito de ir e vir é um tanto complicado. Deu para ouvir alguns policiais contrariados tentando amainar os ânimos, mas o diálogo parecia muito difícil. Se uma das partes cedesse, não haveria tiros, gente presa e machucados. É bom que se registre que houve pressão e radicalismo dos dois lados e, claro, a polícia, aparelhada, age como força repressora.

 

Lista
O leitor deve assistir aos noticiários e notar que a lista de motivação dos movimentos aumenta a cada dia. No início o motivo era a reforma da Previdência, agora os protestos incluem cortes na educação, liberação das armas de fogo, aumento na pontuação da carteira de motorista, e assim vai. Tudo o que o governo Bolsonaro faz vai parar na relação da oposição. Política é assim mesmo. Ver soldados da PM e manifestantes trocando balas, paus e pedras não é uma visão em nada agradável. Depois da encrenca todo mundo vai para casa olhar para a cara dos filhos, passar os mesmos apertos ao abastecer os veículos; encaram a fila e o preço do pão. É preciso muita calma nessa hora.

 

Tô “porraqui”…
O presidente Jair Bolsonaro protagonizou o seu Peru, personagem da Escolinha do Professor Raimundo, ao passar o dedo no pescoço reclamando que não suportava mais o Joaquim Levy, por causa de suas nomeações no BNDES. Pudera, o homem é chegado em economistas do PT, coisa que agita o suco gástrico do governo.

 

Briga por todos os lados
Faz tempo que o Brasil não vive um momento assim, de unhas de fora em quase todos os setores. Há brigas entre ministros, sindicatos, empresas aéreas; arranca-rabos homéricos em todos os escalões da República. Tá difícil.

 

Outdoor
A Frente Paranaense em Defesa da Previdência patrocinou uma peça de mídia exterior estampando fotos de deputados federais e rotulando-os de “a favor” ou “parcialmente a favor” da reforma. Paulo Martins, Felipe Francischini, Vermelho e Sargento Fahur estão no painel. Vermelho, segundo a peça publicitária, seria um dos “parcialmente” a favor da reforma. Qualquer cidadão brasileiro está na mesma faixa, de encarar o processo de reforma “parcialmente” falando, ou seja, concordando ou não com os pontos abordados. Isso tem nome: discussão, sem radicalismo e em busca de um consenso. Por essa ótica extrema, para a Frente de Defesa, deve existir mulher “parcialmente grávida”, ou homem “parcialmente honesto”. Não é por aí. Salvar o país da ruína não é uma situação fácil para os parlamentares.

Devastação
Corvo, li na Folha de S.Paulo que a Estrada do Colono não é uma distância tão curta, como vocês e outros veículos estão informando. Para eles, são 170 km na mata, e algo assim pode causar um certo impacto. Se fosse um trecho mais curto, pode ser que as pessoas aceitassem sem tanta discussão.
Maria do Rosário Nantes

O Corvo responde: prezada, a Folha de S.Paulo informou a distância erroneamente e, pelo que sabemos, ainda não fez uma errata. A distância entre Serranópolis do Iguaçu e Capanema é de apenas 17 quilômetros, atravessando uma faixa do Parque Nacional, um trecho até bem pequeno para a realização de uma estrada-parque, o que ajudará, e muito, no controle da área em favor da matureza.

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