Pela “oreia”

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Pela “oreia”

Como diria um sindicalista, que sufoco o Lula não atender o horário determinado pelo juiz Sérgio Moro, hein? Até o fechamento desta coluna, ele ainda estava no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Bom, em todo caso, mesmo o Corvo não reproduzindo o fato, saberemos se o ex-presidente se entregou ou foram buscá-lo pela “oreia”.

HC
Corvo, sabe como é, o povo quer saber das coisas. Mas agora a palavra da moda é “HC” pra isso, “HC” para aquilo, é “HC” pra todo o lado. “HC”, para mim, era a sigla de Hospital do Coração, pois é o que a gente ouve dizer toda vez que um político vai parar lá, depois de um ataque. Agora surgiu o “HC” do habeas corpus, o que parece ser a fórmula de um milagre para tirar pessoas da cadeia. Explica pra nós, Corvo, claro, do seu jeito. O que é isso?
Ronaldo Feitosa

O Corvo responde: …e haja HC; mas, prezado, habeas corpus é uma ação judicial cujo objetivo é dar proteção ao direito de liberdade de locomoção lesado ou ameaçado por ato abusivo de autoridade. Em grossas e curtas palavras, é uma garantia constitucional em favor de quem sofre uma ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte de autoridade legítima. No latim quer dizer: “Que tenhas o teu corpo”. O Corvo foi buscar a definição no dicionário. Mas vamos pensar, já que o habeas corpus se tornou mais conhecido no caso da prisão do ex-presidente Lula: ele sofreu algum ato ilegal, por parte de alguma autoridade legítima? Na verdade ele foi julgado e condenado em primeira instância e depois por um colegiado. No fim das contas, seu habeas corpus foi negado pela Suprema Corte brasileira, logo, de plantão, como fosse um gato vigiando a sala, o juiz Sérgio Moro fez valer a sentença. Será que o Corvo explicou e contemporizou a contento?

Rápido no gatilho
Os petistas e simpatizantes do ex-presidente, acusado e condenado em segunda instância de levar propina, acusam a situação como uma afronta; querem o resultado de um julgamento no STJ. Na versão de muitos entendidos no Direito, Sérgio Moro foi “célere”, rápido, ágil, o que, na verdade, espera-se da Justiça brasileira em todos os aspectos. Podemos afirmar que Moro fez a lição de casa, em especial, atendendo ao pedido de uma parcela significativa da população — que, aliás, paga o seu salário. Em poucas ocasiões um documento oficial foi tão compartilhado como despacho do juiz Sérgio Moro decretando a prisão do Lula. Somente este Corvo recebeu uns 200, por meio das redes sociais.

Exceção
Há quem diga que o ex-presidente Lula seja vítima de um processo acelerado, o que não foi igual para uma porção de denunciados e condenados. Neste caso, tomara que a situação crie um precedente e daqui em diante os envolvidos em crimes contra o patrimônio sejam julgados mais rapidamente. É quando o rabo vai morder o cachorro. A propósito, Lula disse que “não é cachorro para andar de tornozeleira”.

Divisão
A imprensa mundial estampou em primeira capa, propagou nos horários nobres dos noticiários, que o Brasil é uma nação dividida entre os pró-Lula e os contra Lula. E lamentou: “Como um dos homens mais amados do planeta, que deixou o governo com 80% de aprovação, foi acabar desse jeito”? É pra ver como a coisa funciona, ele fez um bom governo, tocou o país pra frente, agradou ao povo, ajudou a reduzir a pobreza, escolheu pessimamente a sucessora, precisou abrir um guarda-chuva para se proteger da lambança dos “companheiros” e, no fim, foi acusado, processado e condenado por crime de corrupção e lavagem de dinheiro. Não fosse esse último detalhe, Lula seguiria firme na sua luta ideológica, mesmo numa sigla desmoralizada, da qual boa parte dos baluartes está presa ou usando tornozeleira.

Constatação
Enquanto há preocupação com vermelhos de um lado e coloridos de outro, a imprensa mundial eleva a Justiça brasileira ao mais alto patamar da funcionalidade e prestação de serviços em favor da população. Não há um único jornal na face do planeta Terra que tenha esboçado dó do Lula. Pelo contrário, enaltecem a atuação dos magistrados com uma aura de moralidade próxima do que houve na Itália, com a Operação Mãos Limpas. Que bom se isso continuasse assim, afastando da vida pública todos os políticos comprovadamente envolvidos em crimes contra o patrimônio. Pode ser, seremos uma nação próspera. Há uma luz no túnel! O caso é simplesmente tratado mundo afora como uma questão de “ascensão e queda”.

Rebuliço
Curitiba ontem estava um horror em matéria de segurança. Espalharam um boato que a cidade seria invadida por hordas de descontentes com a prisão de Lula; o que mais se via era a PM piscando giroflex e o medo na cara das pessoas. Parecia haver mais medo do que satisfação.

Gravações
Em Foz do Iguaçu, alguém andou falando além da conta ao celular e, naturalmente, foi gravado. Na verdade falou para todo mundo ouvir, pregando a “guerrilha urbana”, o tipo de coisa que não é bem encarada pelas autoridades e quem espera viver num estado de ordem. Guerrilha urbana é coisa séria; será que não bastam os ladrões, assaltantes, estupradores e corruptos? Vamos ter de aturar guerrilheiros urbanos? Puxa vida, deem um tempo pra cabeça da gente.

Guerrilha urbana?
Se depender dos guerrilheiros urbanos de Foz, a “luta armada” será um grande fiasco. Quando a PM ameaçou dar tiros de borracha para amainar os ânimos na ocasião da visita do Lula, só se via “guerrilheiro” em disparada, e dos dois lados. Quem não estava na rua se escondia atrás do muro. Tomara que o brasileiro descubra a sua essência pacífica, se é que ela ainda existe.

Lula de novo
O PT usa o slogan dizendo que “eleições em 2018 sem Lula é fraude”. Aos olhos de muitos brasileiros, isso é um atestado de incompetência, como não houvesse mais ninguém em condições de governar o país. Aqui entre nós, Lula ficou oito anos no governo e o entregou para a dona Dilma, o que foi dar nessa bagunça e esculhambação em que vivemos.

Temer e Lula
O presidente, que confirmou participar de um evento em Foz hoje, amarga uma das piores avaliações de governo em toda a história do Brasil. Não é difícil explicar de onde vem isso: é do rabo de cometa em que ele esteve, quando o seu partido escolheu apoiar partidos em derrocada. O futuro de Temer pode não ser muito diferente do que está acontecendo com Lula. Ele, como excelente advogado que é, deve saber que corre esse risco.

Dia longo
No fim, ontem, sexta-feira, dia 6 de abril, foi um dia muito longo e que exigiu enorme elasticidade por parte dos jornalistas e pessoas envolvidas com a comunicação. Além do noticiário dispensado ao Lula e da expectativa de sua chegada a Curitiba, foi quando terminou o prazo para a dança dos partidos, o que conta muito na soma das possibilidades dos candidatos. Houve uma penca de mudanças, com cenários dos mais variados montando-se. Teremos dias emocionantes até as eleições. As conversas foram longe, até os 45 minutos do segundo tempo. Dia 14 será o prazo máximo para a entrega das listas de filiações, disseram para o Corvo.

Coceira
Este Corvo precisou enfaixar a mão e passar óleo de linhaça pra ver se aliviava a coceira de escrever uma porção de coisas que estava sabendo, mas para variar a pressão dos amigos foi forte. Todo mundo dizia: “Puxa vida, esperar até segunda, dá essa força”, e o Corvo ficava com dozinho e obedecia.

Fim de semana
O Corvo quer aproveitar a oportunidade e desejar um grande final de semana a todos, esperando quer tudo dê certo e tenha sobrado algum para fazer um pit stop num boteco. Que mané guerrilha urbana coisa nenhuma!

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GDIA