Pedágio vergonhoso

Trânsito abusivo
24 de fevereiro de 2018
Opinião
24 de fevereiro de 2018

Pedágio vergonhoso

Caso o Ministério Público Federal vá para cima de todas as concessionárias de pedágio que operam no Paraná, teremos revelações das mais escabrosas e as cifras da corrupção serão muito maiores do que os cerca de 65 milhões supostamente desviados apenas no Norte do estado. E é uma vergonha saber que o motorista paga um dos pedágios mais caros do mundo para sustentar corruptores e corruptos. Quer dizer, o dinheiro vai para além daquilo a que deveria ir: prover conforto aos usuários.

Pedágio assassino
É muito grande o número de acidentes nas BRs paranaenses em razão das deficiências nas estradas, em boa parte sem duplicação. As tragédias deveriam ser debitadas da conta de quem pagará pelos crimes de corrupção. Pelo valor que o cidadão paga de um ponto ao outro, deveríamos possuir as melhores autopistas do universo, seguras, sem precisar dividir o espaço com tantos caminhões ou tornar-se vítima dos apressadinhos, bêbados e irresponsáveis. Pistas duplas diminuem consideravelmente os riscos ao volante. Mas nesses negócios bilionários não sobra dinheiro, porque precisam alimentar bandidos disfarçados de homens públicos.

Pedágio improdutivo
Apesar dos impostos e da monstruosa carga tributária, o cidadão de uma cidade como Foz do Iguaçu, às vezes, não consegue mensurar a razão de os produtos custarem muito mais do que em outras cidades. O consumidor esquece ou não se lembra de que a incidência das tarifas nos produtos inviabiliza o esforço de vários setores, um deles a agricultura familiar. Quem planta precisa abrir mão de uma parcela considerável da venda em razão do pedágio. Neste caso, o dinheiro não é usado na compra de um implemento, no estudo dos filhos, na aquisição de um bem doméstico para prover o descanso de quem trabalha do nascer ao pôr do sol; esse recurso vai parar no bolso de safados, deste modo investirão em negócios de luxo nas praias paradisíacas, com a grana guardada em “estâncias” fiscais. Parte desse dinheiro será usada na eleição de mais bandidos, corruptos, párias e parasitas. Isso é uma barbaridade.

Pedágio insano
Há décadas ouvimos um discurso mentiroso de que haverá esforço para reduzir ou pelo menos não deixarem aumentar as tarifas dos pedágios. Quem se eleva ao cargo de candidato inclui o tema na pauta das promessas, e isso só fica na promessa. Não se pode aqui afirmar que os nossos gestores se aproveitam das concessionárias ou do que elas oferecem, mas por que não conseguiram cumprir as promessas de acabar com essa vergonha, baixando os preços, exigindo as benfeitorias, fiscalizando, punindo quem não cumpre um contrato? É insano imaginar que governadores do quinto estado mais importante da República não possuíram caneta para dar jeito na situação. É uma vergonha!

Pedágio incógnito
Se em apenas um trecho constataram que houve um desvio de aproximadamente 65 milhões, não está errado projetar o prejuízo milionários ao qual submetem os usuários das estradas paranaenses. Isso se elevado a todo o país beira o lucro de algumas multinacionais. Depois não sabem explicar a razão das obras de manutenção não acontecerem, os viadutos que não saíram, a duplicação que não houve. Certamente os desvios chegam à casa de bilhões.

Para pensar no domingo
Puxa vida, o pedágio já não é um bom negócio? É uma teta muito produtiva inclusive. E precisam roubar? Mentir? Simular prejuízo para sustentar políticos ladrões? Poderiam muito bem fazer o que deveria ser feito sem esses malabarismos. Então o concessionário estava com a vida montadinha, numa boa, com tudo pela frente, e agora precisará acostumar-se com a lei no calcanhar; vai perder tudo e ainda passará apuro, vergonha, constrangimentos e, mesmo em caso de ser inocente, terá um prejulgamento público, cheio de raiva e com clamores de justiça; será chamado de ladrão. Não há nada pior se a pessoa for honesta.

Sem escolha
Qual Brasil lucra mais? O da produção ou o da corrupção? Está na hora de o brasileiro assumir que sabe a razão de não haver merenda nas escolas, das ruas estarem esburacadas, dos postos de saúde estarem lotados, de os hospitais estarem quebrados, sem medicamentos e equipamentos, de não haver segurança e tudo mais que falta. A maioria dos municípios que não estão no módulo de economia de guerra, em razão de necessidade recuperação, depois de serem literalmente assaltados pelos seus administradores, sofre igual porque ainda não foi investigada e alguém continua metendo a mão no jarro. Lamentavelmente a corrupção no Brasil é endêmica; se houvesse um processo de judicialização — aquilo que os políticos temem —, poucos escapariam. Estima-se que menos de 5% dos municípios brasileiros estão sendo exemplarmente administrados, mas até neles há casos em que homens públicos estão envolvidos com problemas na mesa do Ministério Público.

Luta dos procuradores
Essa briga pelos honorários de sucumbência é antiga. Para quem não sabe, os procuradores e advogados dos municípios têm direito ao que chamam de honorários de sucumbência. Trata-se de uma lei federal assinada e publicada em março de 2015. Só que para variar, o seu Reni entrou numa queda de braço para não pagar os valores aos procuradores, mesmo a grana recolhida num fundo e proibida de ser manipulada pela gestão municipal. O embate seguiu com Ivone Barofaldi e dona Inês da Saúde. Mas no fim o dinheiro rendeu juros, e cada procurador recebeu algo em torno de R$ 100 mil. Diga-se dinheiro lícito, como observou o atual procurador-geral Osli Machado, conforme reportagem publicada na edição de ontem deste matutino. Mas sempre há quem espalhe um veneno.

Suicídio
Que situação, hein? A mosca do suicídio parece andar picando as pessoas na fronteira. Uma quis se jogar da Ponte da Amizade; outro, do Viaduto Zé Richa. Foi a notícia da quinta-feira nas redes sociais. Quando alguém se atira da ponte, cai na água os nas pedras, mas no caso do viaduto o suicida pode causar outras vítimas. Vai que acerta um veículo cheio de crianças? Os dois casos paralisaram o movimento no trânsito.

Vereadores
Pois é, seu Corvo, a gente não quer cometer o pecado de acusar alguém que ainda não foi sequer julgado, mas esse povo da política parece que vive sentado em formigueiro. Não ficam quietos nunca, dão entrevista em rádio, jornal, e quem disse que não entram em contato com a Câmara e os membros de lá? Ficam provocando a Justiça, cutucando a onça com vara curta. Eu mesmo já fui abordado por um desses investigados e meu ouvido virou penico. Deveriam dar um tempo da vida pública.
Rainon Vieira

O Corvo responde: prezado, é verdade, acusados e investigados deveriam no mínimo obedecer à lei, cumprindo o que ela determina. Mas como você bem definiu, sofrem de comichão, com aquela coceira terrível para aparecer. Mas não vamos longe: um desses envolvidos andou espalhando que será candidato a deputado estadual neste ano. Onde? Será que não se toca? Deveria tirar o cavalinho da chuva.

Viola no saco
É como se comportaram as pessoas ligadas ao governo e que andaram visitando a região nos dias em que eclodiu o vulcão dos pedágios. Não sabiam o que dizer. O governador inclusive, ao se manifestar, disse que mandou abrir investigação e espalhou a encrenca para os governos anteriores. Lembrou até o saudoso Zé Richa, sobre o caso do servidor de terceiro escalão Carlos Nasser. Que mão de obra exemplar é essa que permanece no governo desde os tempos do velho Richa? Só falta todo mundo ser acusado de prevaricação pelo fato de não exonerarem o figura.

Ainda…
Beto Richa, claro, repetiu o que disse o procurador da República, mas em partes. O governador afirmou que o procurador informou que ele não está sendo investigado, porém se esqueceu da palavra “ainda”. Esse ainda faz uma diferença enorme no contexto das coisas. Está na memória do povo quando o juiz Sérgio Moro disse, em bom e alto tom, que o ex-presidente Lula não estava sendo investigado na Lava Jato. Deu no que deu, foi condenado no caso do tríplex, e o imbróglio da chácara em Atibaia segue na mesma direção. Dependendo, o ex-presidente corre o risco de sair do próximo julgamento direto para o camburão.

Operação tapa-buracos
Corvo, faça-me um favor: avise à redação para deixar de ser engravidada por certas notícias. Disseram numa matéria da prefeitura que estão asfaltando aqui e ali, mas até agora isso só está no papel, pois ele aceita tudo. Minha rua estava na lista desse retoque de asfaltamento e, não sei explicar, os buracos ainda estão lá. O governo só vai convencer o cidadão quando ele sentir o cheiro do piche, não adianta publicar notícias duvidosas, pega mal para vocês.
Reinaldo Gama

O Corvo responde: prezado, como você mesmo observou, este jornal publicou uma nota do governo e, por questões éticas, presumimos que informações assim são verdadeiras. Mas após receber a sua comunicação, tivemos o cuidado de conferir a informação, e todos os locais mencionados receberam sim manutenção. Mas como diz o prefeito, Foz precisa refazer quase todo o asfaltamento na área urbana, só tapar os buracos não será suficiente. É apenas uma medida emergencial. O caso é que a cidade ficou abandonada muito tempo e não é possível reconstruir tudo com uma varetada de mágico. O Corvo faz a crítica, mas também entende as dificuldades.

Informações
O Corvo publica tudo o que é enviado pelos leitores e colaboradores, menos críticas infundadas, mentirinhas políticas e joguinhos de oposição. No mais, se alguém quiser fazer uma denúncia, ela terá toda a atenção, mas por favor, que faça do jeito certo, informando a localização do problema, nome e, se possível, o número de um documento de identidade. Todas as informações são conferidas antes de serem publicadas.

 

Charge do corvo

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GDIA