Paraná registra 89 casos de violência contra a mulher a cada 24 horas

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6 de agosto de 2018
6 de agosto de 2018

Paraná registra 89 casos de violência contra a mulher a cada 24 horas

No dia 1º de agosto deste ano, no bairro Neva, em Cascavel, um homem violento matou a esposa com golpes de facão e decepou a mão da enteada com uma foice. Ele foi preso e a enteada teve a mão reimplantada no Hospital Universitário, onde continua internada.

Essa tragédia é mais um crime a engrossar a estatística macabra de violência contra a mulher no Paraná. O Conselho Nacional de Justiça divulgou um estudo sobre a Lei Maria da Penha e concluiu que o TJ do Paraná é o quinto tribunal brasileiro a registrar maior número de violência doméstica contra a mulher em 2017, com um total de 32.441 processos.

De acordo com o estudo, a justiça paranaense recebe, em média, 89 denúncias por dia, o que significa um novo processo a cada 16 minutos. No ano de 2016 foram registrados 27.747 casos, um aumento de 16,9% em relação ao ano passado.

O CNJ contabilizou que a cada mil mulheres, 5,8 foram vítimas de violência doméstica no Paraná. Mais grave ainda é saber que 49% dos processos não haviam sido julgados até o mês passado, deixando impunes quase a metade dos acusados.

Segundo o TJ, a taxa de congestionamento, contudo, é menor do que a verificada em 2016 (71%), fruto da quantidade de processos baixados (35.149) ter sido superior a de novos processos, com o Índice de Atendimento à Demanda atingindo 110%.

A desembargadora Lenice Bodstein, que comanda a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID-TJPR), disse que os números indicam que o combate à violência contra a mulher têm surtido resultados ao longo dos últimos anos, já que o número de casos que chegam ao conhecimento da Justiça tem crescido.

O CNJ informa também que o Paraná conta com apenas uma vara de juizão exclusivo em violência doméstica – o menor número do país – ao lado de Santa Catarina, Sergipe, Rondônia, Acre e Piauí. Por outro lado, o Paraná conta com seis setores psicossociais especializados no atendimento às vítimas.

“Mesmo tendo um baixo número de varas e juizados exclusivos, todas as comarcas do Paraná fizeram capacitações de profissionais para esse atendimento específico”, diz a desembargadora Lenice Bodstein.

Os dados do CNJ revelam ainda que o TJ do Paraná concedeu em 2017 mais de 21 mil medidas protetivas, 16,9% maior que em 2016. Esse tipo de medida, obriga o agressor a ficar afastado da vítima. A cada grupo de mil mulheres, 3,7 receberam medida protetiva em 2017. (com informações da assessoria do TJ)

 

Caso da advogada de Guarapuava choca o país

As imagens do circuito interno de TV, divulgadas pela Rede Paranaense de Televisão na última sexta-feira (3) chocaram o pais. Pelas imagens é possível ver claramente Luiz Manvailer, 29, agredindo sua esposa, a advogada Tatiane Spitzner, também de 29 anos.

A advogada caiu (ou foi jogada) do quarto andar do prédio onde morava e morreu. Antes da queda, Manvailer agrediu Tatiane várias vezes na garagem e no elevador do prédio. As cenas dramáticas foram gravadas pelo circuito interno.

Nas imagens, a advogada sai correndo do carro até o elevador. Manvailer consegue alcançá-la e a imobiliza dentro do elevador. A mulher tenta fugir novamente quando a porta do elevador se abre, mas o homem, que tem o porte físico maior do que o dela, a segura com força pelos braços e a pressiona contra a parede. Cerca de 20 minutos depois, ele retorna sozinho ao elevador, com marcas de sangue na camisa. Depois ele aparece limpando as manchas de sangue que ficaram no caminho e no elevador.

Moradores do prédio disseram terem visto Manvailer recolher o corpo da vítima na calçada e levar para dentro de seu apartamento. Depois ele fugiu em seu carro e foi preso nas proximidades de São Miguel do Iguaçu, onde sofreu um acidente. A polícia suspeita que ele iria fugir para o Paraguai.

A família da advogada informou que o casal não vivia bem nos últimos tempo e que ela pedira a separação,  mas o marido não concordava.

O delegado responsável pelo inquérito diz que há indicativos de que Tatiane foi esganada pelo marido. “O laudo apontou evidências claras da ocorrência desses crimes, entre elas marcas evidentes no pescoço da vítima”, disse.

(Adelino de Souza Freelancer/ Foto: AEN)

 

 

 

 

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