Navalha na carne

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Navalha na carne

Chato usar o nome de uma obra tão marcante quanto a de Plínio Marcos, um dos nossos maiores dramaturgos, mas se alguém acreditou que Antônio Palocci não delataria Lula e a Operação Carne Fraca não tinha conexão com os bastidores, do tipo uma vingança contra Joesley Batista & Cia., esse alguém não vive neste planeta.

E o Janot?
Toda a atenção é voltada para ele. Entrou na linha de tiro dos algozes, como é o caso do ministro Gilmar Mendes, a considerar um desastre o esquema de delação via JBS. Gilmar deixou escorrer o veneno do canto da boca ao analisar a situação, e fez isso de Paris.

Errar or not errar
É o mesmo dilema entre ser corajoso e medroso. Dá para considerar o Rodrigo Janot um homem de muita coragem, sobretudo ao abrir tantas frentes, metendo indiscutivelmente o dedo na ferida. Errar por algo assim não é feio. Não “erra” quem não faz nada e deixa o crime rolar como fosse algo normal, usual. Questionar erros neste momento é uma forma de avisar que enfrentará o que vem pela frente, certamente o fogo cerrado da ala política. O procurador-geral da República peitou ao mesmo tempo o ministro Gilmar Mendes; o presidente da República, Michel Temer; uma penca de deputados e senadores; Lula, Dilma e todo o PT; Aécio Neves, e arranjou guerra com uma porção de grandes conglomerados econômicos. Não dá para dizer que um homem assim não é corajoso. Ele é cabra macho pra chuchu!

50 milhões
Quando as malas do Geddel Vieira — no apartamento de Salvador e com impressões digitais — viraram notícia no Jornal Nacional, não haviam contado todo o dinheiro e divulgaram uma “escandalosa” quantia de uns R$ 30 milhões; o que já seria a maior apreensão de grana viva da história. E no fim o valor quase dobrou. Se houvesse uma disputa de mala com dinheiro, Geddel ganharia de 8 a 1 do Rocha Loures e, em valor, daria uma surra. A turma do Temer é chegada a uma mala recheada.

Punição chinesa
Óbvio que a crise brasileira foi foco de comentários na China, onde estavam reunidos os líderes do chamado BRICS. O presidente Michel Temer deve ter ouvido de alguém o que aconteceria caso ocorresse lá uma situação similar ao que se passa no Brasil, com acusações sobre a formação de quadrilhas, malas de dinheiro empilhadas em apartamentos, propinas milionárias, envolvimento de assessores diretos de um chefe da nação correndo com a mala recheada. Quando isso acontece por lá, esgotam as bilheterias dos estádios para ver o cumprimento da sentença dos corruptos. Ela não é nada agradável.

As gravações
Com o sigilo derrubado, as emissoras de TV e rádio e os jornais ainda fazem a festa. Você, leitor, que fala errado, sente vergonha e, por isso, às vezes prefere ficar de boca fechada, agora está testemunhando que bilionários como o Joesley Batista tropeçam nas conjugações e concordâncias verbais. Mas a oitiva de Antônio Palocci roubou a cena e passou a ocupar as telinhas. Lula está de filme queimado.

Drama & Política
Sobre dramaturgia, em minha opinião Nelson Rodrigues é disparado o maior dramaturgo brasileiro. Para ele, em seu tempo, o Brasil já era essa grande esculhambação ou muito pior até, pois não existia todo o aparato de controle das contas públicas (os que existem hoje). Sobre a política (entre outras frases), ele disse: “Nada mais cretino e mais ‘cretinizante’ do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem”. É o que estamos vendo, uma porção de seres considerados heróis, hoje cretinos e imbecis.