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Nanci e o atestado

Pois é, a caixa postal do Corvo amanheceu abarrotada de comunicados de leitores sobre esse assunto. Muitos pedem a opinião deste colunista, como em outros temas (ler a seguir). Mas sobre o caso da vereadora, é possível imaginar que ela tenha agido naturalmente, sem maldade. Fez uma consulta na região de Curitiba e cumpriu o dever de justificar a falta para aquele dia. No dia seguinte não haveria expediente, sendo assim ela não se beneficiou do atestado para seus afazeres particulares, no caso um compromisso com a família. Veja, o Corvo não está fazendo prejulgamento, nem a favor, nem contra, mas por que o fato não foi denunciado em setembro do ano passado? O Corvo entende que é ano eleitoral e os políticos estão no alvo, a começar de outros partidos. Mas é um assunto que já está sendo investigado, e o ideal é aguardar pelo resultado. Nanci vai pagar um preço: ser dura em suas decisões quando presidente do Conselho de Ética, o mesmo que a investigará.

Ranço injustificado
A classe jornalística de Foz está um tanto precavida em relação a alguns casos de hostilidade que os profissionais sofrem durante os embates entre lulistas e contrários. Precavida em vários aspectos, juntando provas inclusive. Por meio de mensagens nas redes sociais e gravações enviadas aos jornalistas, alguns membros desses movimentos demonstram a intolerância e o ódio. Não é o caminho ideal, pois esse tipo de pressão acaba obstruindo a informação. Tem gente desviando o foco dos protestos.

Radicalismo
O fato é que jornalistas foram atingidos por ovos e receberam ameaças enquanto estavam trabalhando, especialmente na ocasião em que o ex-presidente Lula esteve no Sindicato dos Eletricitários. Todo mundo sabe que é difícil conter uma turba inflamada, qualquer faísca causa um estrago. Ao que consta, a polícia está interessada em saber quem acendeu a faísca e, pelo que se apurou, as agressões partiriam de um casal. Vários depoimentos foram colhidos nesse sentido.

Pressão contínua
É que no decorrer da semana, profissionais da comunicação foram literalmente escrachados nas redes sociais; pior, por meio de fakes, notícias falsas, o que é uma covardia. O repórter Bruno Soares, que trabalha neste jornal e corresponde para vários outros meios de comunicação, como a Folha de São Paulo e Gazeta do Povo, tornou-se alvo desse radicalismo. Bruno é um trabalhador, pai e, por mais incrível que pareça, luta contra a corrupção e corruptos. É um profissional totalmente isento, longe da atividade partidária.

Conteúdo
Pois bem, Bruno é acusado de maneiras bem torpes e com requintes de ignorância. Primeiro, por produzir conteúdo que contrarie o propósito dos movimentos, o que não é verdade. Apenas para aclarar, todas as informações colhidas e redigidas pelos repórteres ingressam na redação e depois passam pela edição. Não há uma única informação publicada neste jornal (Gazeta Diário) que ofenda, prejudique, deturpe ou comprometa um fato, ou que denigra algum movimento. Segundo: conforme uma nota da PM, expedida ontem e que ilustra a gravidade do assunto, Bruno seria aviltado pelo fato de usar uma camisa vermelha. Que barbaridade! Acontece que as camisas vermelhas e pretas são o uniforme do jornal, de acordo com as cores do logotipo. E para começo de conversa, a camisa que o Bruno usava na fatídica ocasião nem era vermelha, e sim grená, vinho, ou tom assemelhado.

Ridículo
E há vários comentários entre jornalistas e testemunhas dando conta de que não foi apenas o Bruno Soares quem pagou o pato na manifestação contra o Lula, por causa da cor da camisa e de usar barba: muita gente voltou para casa com cheiro de ovo. Poderiam doar os ovos para alguma instituição, no lugar de atirá-los nos jornalistas. Agora este Corvo vai raspar a barba com medo de virar omelete.

Fake news
Mas no meio dessa confusão, alguém deu de fazer uma besteira sem tamanho, que foi redigir um texto ofensivo, mentiroso e, pior, assinado fantasiosamente pelo nome de Sérgio Moro. Foi aí que a porca torceu o rabo; e, em razão da gravidade das acusações, ameaças e o restante do conteúdo, já teriam descoberto os autores da maledicência.

Doidinhos
Como pode uma coisa assim? As pessoas sabem que se instalou uma guerra contra esse instituto covarde das fake news; que todos os setores da sociedade estão mobilizados à caça dos que fazem isso, e alguém, em Foz, resolve fabricar uma porcaria dessas, ainda por cima contra jornalistas? Burrice da mais pura.

Os movimentos
Disseram para o Corvo que há seis ou sete movimentos que lutam contra Lula e o PT em Foz. Em boa parte, os grupos são formados por pessoas de todas as categorias laborais, empresários, estudantes e que atuam de acordo com os seus princípios, envergando a ordem e a moralidade. Logo, atos extremistas como a ofensa aos jornalistas mexeram também com integrantes desses grupos. O esforço é grande para baixar a poeira e é o caminho certo, porque daqui a pouco isso muda, acaba ou toma outro rumo, e todos viverão na mesma comunidade. O caminho é usar da maturidade para o não cometimento de injustiças e menos ainda desviar o foco dos movimentos, que é endireitar o país.

Lula e as decisões
Pois então, esse horário de fechamento da coluna do Corvo é praticamente uma tortura para este intrépido articulista. Provavelmente a decisão da Suprema Corte, sobre o fato de Lula poder ser preso ou não, só sairá depois da coluna devidamente enviada e revisada. Sendo assim, o Corvo não poderá opinar sobre a decisão. Fica para a edição de amanhã; oh, dó, oh, vida, como diz a famosa hiena personagem dos desenhos animados.

Pergunta ao Corvo
Prezado pássaro, independentemente da decisão do Supremo, o que você pensa sobre a prisão do Luiz Inácio Lula da Silva; é contra ou a favor?
Carlos Rodrigues Nascimento

O Corvo responde: prezado, o Corvo é a favor daquilo que diz a lei. E é por isso que a Suprema Corte se reuniu, para deliberar sobre a lei, suas interpretações e todo o conjunto de análises do qual se chega a um resultado. Mais precisamente, o Corvo pensa que todo corrupto safado, ladrão do dinheiro público, deve ir parar na cadeia, até que seja julgado e condenado. Aqui não há prejulgamento.

Segunda instância
Corvo, você concorda com a prisão em segunda estância ou deveria ser como nos Estados Unidos, onde quem pratica o crime já vai direto para a cadeia?
Jussara Lemos

O Corvo responde: prezada, “estância” é onde a gente descansa, passa as férias, desopila. O Corvo está precisando muito passar uns dias numa estância hidromineral com bolinhas eclodindo na água. Sobre instâncias da Justiça, o modelo do Brasil dá mais oportunidade de defesa para os réus responderem ao processo em liberdade, fato que indiretamente ajuda bastante na impunidade, pois há aquele dito popular de que o crime “não dá em nada”. O Corvo é legalista. Mas, entre outras, é por questões assim que o país deveria enfrentar uma reforma no Judiciário. Pensa na moral dos corruptos caso as coisas sejam facilitadas para o Lula? Por isso devemos crer na integridade do julgamento.

Inês e o serviço público
Como andam acusando o Corvo de perseguir a dona Inês da Saúde, o que não é justo, este colunista resolveu tecer um comentário que ela não poderá contradizer nem julgar ofensivo: ao tomar posse, a vereadora disse que vai agilizar a coisa pública. É uma excelente providência, sobretudo pelo fato de dona Inês ter experimentado o gesso que é tentar fazer algo e não poder devido à burocracia e impedimentos legais, às vezes muito injustos contra a sociedade. Um amigo do Corvo que é prefeito de uma grande cidade disse: “98% das minhas promessas de campanha não serão realizadas em razão do engessamento da máquina administrativa”.

Sem o engessamento
Quem faz as leis municipais são os vereadores, alteram o código de postura quando precisa ser ajustado, enfim, autorizam o Executivo no provimento das benfeitorias. Conhecendo os meandros da administração, vereadores podem sim fazer a diferença. Entre os 15 membros da Câmara há pessoas com vasto conhecimento na administração pública, como é o caso da Nanci Rafagnin, que já assumiu a prefeitura (durante férias de Paulo Mac Donald) e já foi secretária, Elizeu Liberato, Anderson Andrade e, agora, Inês Weizemann. O Corvo pede desculpas se a memória falhou e, em razão disso, faltou inserir algum nome. Viu, Inês, nem tudo é crítica e pegação no pé.

China e EUA
Corvo, nessa encrenca entre chineses e americanos, com um embargando produtos do outro, bem que poderia sobrar uma brechinha para o Brasil, não acha? Pelo menos antigamente a nossa diplomacia sabia lidar com isso e a gente levava uma vantagem. Tomara que haja essa habilidade nos dias de hoje.
Marco Antonio Bezerra

O Corvo responde: tomara, prezado leitor. O problema é que o Brasil, por sua vez, está na lista de produtos embargados dos norte-americanos e chineses. Estamos meio feios na fotografia ultimamente. Mas como o nosso país é produtor de uma infinidade de produtos consumidos pelos dois países, é possível sobrar algo favorável.

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GDIA