Lojas francas

Na geral
2 de abril de 2018
Olha o “Brazil” nos jornais aí, gente!
2 de abril de 2018

Lojas francas

Muito boa a entrevista com o empresário Kamal Osman, diretor do Sindilojas, ou do Sindicato Patronal do Comércio Varejista, publicada nesta edição. O Corvo não teve como deixar de ler antes da publicação e nem de comentar. Na verdade este colunista sentiu coceira nas mãos para tratar do assunto aqui, assim, em cima da publicação. Ele, o Kamal, defende que as lojas francas, no caso os free shops, sejam instalados em todo o perímetro urbano de Foz do Iguaçu. Mas será isso possível? Em todo o caso, Kamal esboçou otimismo e espantou um pouco a dúvida que havia em Foz assim que soube da novidade; muita gente estava torcendo contra, enaltecendo que os free shops prejudicariam o comércio e os comerciantes. Isso foi tema em várias de nossas edições. Leia o conteúdo com o Kamal na página 4.

Brasa na sardinha
Mas aqui entre nós, só faltou o Kamal dizer que o local ideal para receber um free shop é onde está a sua loja, em plena Avenida Brasil, e que, todo mundo sabe, não anda lá muito bem frequentada pela clientela ultimamente. Mas isso não vem ao caso. A falta de movimento é um problema de vários comerciantes. Não é pequena a concorrência no ramo do sutiã e calcinha.

Loja ou zona franca?
Kamal, no alto da sua experiência, parece que não descobriu a diferença que há entre a modalidade loja franca e zona franca, mas a sua avaliação, em partes, não deixa de ser correta; o problema é que uma coisa nada tem com a outra. O otimismo do comerciante é tanto que ele pode ter se confundido. Mas quem conhece a cidade e a história vai lembrar-se de um “golpe” de publicidade que o comerciante aplicou usando a mídia para anunciar que Foz teria uma zona franca. “Golpe de publicidade” não é coisa feia de se fazer, quer dizer apenas que a sacada chamou a atenção além daquilo que se esperava. O dicionário diz que um golpe de publicidade, ou jogada/truque de publicidade, é um evento ou ato planejado para atrair a atenção do público aos promotores ou suas causas. Golpes de publicidade podem ser organizados profissionalmente ou montados por amadores. Bom, lembrando a jogada, é possível concluir que o Kamal sempre quis ter uma zona franca.

Perímetro urbano
O Corvo gastou um interurbano e consultou um especialista no assunto. Antes, porém, enviou as normativas da Receita Federal, recentemente divulgadas. Claro, ele já conhecia o instrumento de cor e salteado. Como o profissional está envolvido numa série de projetos de desenvolvimento, pediu que não publicássemos o seu nome. Morando em Londres, e mesmo sem conhecer bem Foz, o nosso consultor disse que lojas francas “não” devem funcionar no centro da cidade — e por uma lista imensa de recomendações técnicas. Fatalmente elas se tornariam uma espécie de “galerias Pajés”. Proveriam sim mais desenvolvimento, caso fossem localizadas em locais distantes do centro, que já é uma referência comercial. É aí que o transporte ganharia, bem como bares e restaurantes. “Cidades como Foz, com uma logística diferenciada, devem florescer novas áreas de desenvolvimento”, disse.

Sim e sim
Na longa conversa, “nosso consultor” citou um exemplo interessante e fez uma pergunta: “Vocês já possuem um free shop aí em Foz, ele fica em Puerto Iguazú, e também uma imensa zona franca, que está em Ciudad del Este. Isso quebrou o comércio da cidade? Os free shops apenas reforçarão o setor comercial e atrairão mais visitantes ao ‘turismo de compras’, que movimenta toda uma cadeia produtiva. Os iguaçuenses continuarão a comprar na Argentina e Paraguai, pois lá são estrangeiros. Pelo que li, o free shop em Iguazú é antes da aduana argentina”.

Oportunidade
“Foz quer perder essa oportunidade empurrando-a para outras cidades contempladas pela lei?” Com o conteúdo da conversa, o Corvo ouviu vários empresários, e 99,9% concordaram com as recomendações, mas há quem pense que as lojas podem sim espalhar-se em vários locais. A novidade em Foz é uma mobilização, por enquanto soturna, para segurar a cota de compras no Paraguai em US$ 300. A diminuição para US$ 150, como prevê a regulamentação da Receita Federal, é que causaria um desequilíbrio, mais no campo social do que no comercial. Milhares de brasileiros trabalham em Ciudad del Este.

E onde fazer uma free shop
Nosso consultor deu uma dica: “Vou citar outro exemplo: em grandes polos como São Paulo, Curitiba, há várias lojas Havan, e elas estão no centro dessas cidades? Podem existir unidades nos shoppings, mas notem que as estruturas são montadas nos bairros ou em localidades onde há pelo menos um bom acesso para se chegar e sair; as pessoas precisam parar de brincar de reinventar a roda e olhar mais para o que os grandes conglomerados realizam, pois tudo se origina da fonte de pesquisas e estudos muito aprofundados e bem elaborados de acordo com as características de cada cidade”. Detalhe, para mudar de assunto: “nosso consultor” está muito bem empregado, atua no mercado internacional, e Foz não teria dinheiro para contratá-lo. Deu as dicas porque, segundo ele, a cidade “parece ser interessante, especialmente quando se ouve falar tanto dela”. O Corvo precisou de uma semana para conseguir contato direto com o profissional.

Promessas e mais promessas
Foz é um laboratório de papo-furado quando o assunto é anúncio de obras federais e estaduais. O Corvo está escrevendo estas notas no dia 1º de abril, Dia Internacional da Mentira, portanto o conteúdo vale para hoje. Anotem, Perimetral Leste em Foz e viaduto em Santa Terezinha ainda estão longe de terem uma “ordem de serviço” assinada. Do jeito que os políticos falam, dá a impressão de que as máquinas vão começar a rasgar o chão imediatamente.

Em Santa Terezinha
Agora o Corvo vai bancar o ombudsman. É que, na boa intenção, o jornal acredita no conteúdo das notícias oficiais, e em muitos casos elas são uma espécie de antecipação do futuro. Aqui ninguém duvida que haverá a perimetral, ou o viaduto da Costa e Silva, bem como a obra na BR-277 em Santa Terezinha, mas há um ritual a ser cumprido ao longo do processo até assinarem uma ordem de serviço. Mirem as obras de duplicação da BR-469 e no fiasco que deu. O tal viaduto de Santa Terezinha, ou trincheira, ainda nem abriu os documentos de habilitação — isso ocorrerá nesta quarta-feira (4/4); se nem existe uma empresa habilitada ainda, como pode haver uma ordem de serviço? O processo, portanto, está na fase da “habilitação” e escolha das empresas que realizarão a obra.

Em Foz
Sobre a Perimetral Leste é a mesma situação, pois primeiro devem concluir o processo de licitação, ou seja, superar a fase de escolha da empresa que executará a obra, e muito depois disso é que também assinarão ordens de serviço. A burocracia é mais devagar que a velocidade supersônica dos políticos, e vai ver é por isso que eles antecipam as etapas. No fundo sabem que as obras são necessárias e, em razão disso, fazem a massagem nos eleitores. Sempre foi assim e assim sempre será, mas é importante esclarecer a verdade; hoje em dia ela deve render mais votos. Devemos lembrar que o ministro dos Transportes foi escolhido no sábado, porém, segundo a grande mídia, é possível que ocorra uma nova acomodação e as mudanças podem prolongar-se, para o desespero de alguns partidos. Provavelmente não dará tempo de ele vir a Foz e sacramentar o anúncio das obras que tanto a população espera.

E o viaduto?
O viaduto da Costa e Silva está na mesma pegada. Segundo informações, o edital está prontinho da silva, e é possível que ele seja lançado pelo Beto Richa antes de deixar o governo. Será possivelmente uma das últimas ações do governador.

Armas de fogo
Qual a razão de uma nação tão pacífica e de olhos no crescimento como o Paraguai precisar importar tantas armas de fogo e munição? Não devem estar preparando-se para um conflito, no mais, segundo se sabe, as Forças Armadas de lá estão até que bem aparelhadas. Se o país vizinho barrar as importações de material bélico, as organizações criminosas levarão um gelo.

Baile da Inês
Depois que o caso vazou nesta coluna, dizem que houve uma “operação” para retirar as fotos da despedida de Inês da Saúde como secretária. O Corvo bem que antecipou, mas parece que a ideia da festa não desceu redondamente pela goela de algumas pessoas.

Surpresa
Contaram para o Corvo que o jurídico da Câmara encontrou um nó numa recente exposição sobre a necessidade de abrirem sindicância contra uma vereadora. Ou alguém interpretou errado o regimento ou utilizou o de outra cidade. Mas como o Corvo é chegado em provas, vamos aguardar um desfecho.

Concorrência
Gilmar Piolla está na fase de análise do convite para ser candidato a senador pelo PV. Parece que tudo é uma questão de analisar a concorrência. A disputa pelas vagas do Paraná no Senado da República será uma espécie de briga de foice em loja de espelhos.

Justiça
O Corvo quer fazer uma abordagem que se faz necessária: em nossa visão, jornais e jornalistas não fazem “justiça”, apenas comentam os fatos e dão molde aos acontecimentos com justeza, pois sabem que são formadores de opinião. Há essa responsabilidade em se entender assim.

Onde não há Justiça
A justiça na imprensa se faz quando a notícia é verdadeira. Onde o Estado é de exceção, veículos de comunicação fazem sim justiça, porque não há quem a faça, e muita gente pagou com a vida por esse exercício tão nobre. Já com a democracia e num país em transformação como o Brasil, quem provém a justiça é o Poder Judiciário, por meio de seus agentes, promotores, juízes, desembargadores, ministros (não excluímos os advogados). Partimos do princípio de que devemos acreditar na capacidade e integridade dessas pessoas. Todos os dias acompanhamos fatos dos mais diversos sobre as injustiças e como são reparadas. No caso do nosso colega Ângelo Publio, sepultado no último sábado, esperamos que se faça justiça, e o quanto antes, pois seria uma forma de alertar sobre os perigos do trânsito, sobre a desatenção, os problemas de sinalização, os deveres públicos de governos e cidadãos. É muito grande a quantidade de vítimas todos os dias, e o trânsito no Brasil continua matando mais que qualquer guerra; as pessoas saem de casa para trabalhar, estudar, pagar contas, fazer compras, mas não voltam.

Idgar de férias
O colunista Idgar Dias Junior foi passear nos Estados Unidos da América a convite do presidente Donald Trump. Está com o retorno previsto para o dia 20 deste mês. A partir desta terça-feira, teremos no espaço do Idgar a prestigiada coluna do jornalista Leandro Mazzini, por dentro de tudo o que acontece em Brasília. Como o nosso jornal é uma democracia comandada pelo leitor, é certo que a coluna agradará! Leandro escreve diariamente para vários jornais.

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GDIA