Emoções matutinas

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Emoções matutinas

É o que se esperava nesta segunda-feira, com o cumprimento da prisão temporária de Joesley Batista e Ricardo Saud; era um espetáculo. Se a medida fosse cumprida como ocorreu em geral, nas primeiras horas da manhã, os dois já deveriam estar na pressão, com a PF na porta de casa e tudo mais. Mas eles optaram por se antecipar, mediante o atendimento do ministro Edson Fachin ao pedido do procurador-geral Rodrigo Janot. Como sabemos, a decisão não foi a mesma com relação ao advogado Marcello Miller, mas ele que tome tento.

E o Marcello?
Que situação mais incômoda esse advogado arranjou? Uma sarna das boas para se coçar o resto da vida. Ele acreditou que se daria bem largando o emprego de procurador da República, cujo salário beira os R$ 30 mil, para trabalhar no setor de anticorrupção da JBS. É o que disse Joesley Batista. Pode? Depois de admitir que “acertou” a vida de tanta gente, iria combater a corrupção? No mínimo estaria montando um setor para lidar com os políticos, como fizeram as empreiteiras. Segundo a Folha de São Paulo, Miller teria assinado um acordo de delação premiada. E quando ele falar, a jiripoca vai piar. Vai dizer que foi seduzido como Eva, pela maçã.

Bocão
Esse negócio de dizer que “nunca, jamais iria preso” deve ter irritado as autoridades. O cidadão, pelo menos, pulou dentro das calças com a conversa “entre bêbados”. Joesley teria zombado até para os funcionários. Boca grande não entra em festa no céu.

Festa
O presidente Michel Temer, apesar do enrosco que foi a amizade com o dono da JBS, deve ter aberto uma garrafa de champanhe quando soube da decisão do ministro Fachin. No fim das contas, o Planalto ainda espera festejar o descrédito das delações de Joesley contra o presidente. Elas estão passando para o campo das incógnitas, mesmo com gente indo para a cadeia por causa de malas de dinheiro.

Medão
Os advogados de Geddel Vieira Lima estariam em campo para uma nova tentativa de acordo de delação. O mundo inteiro quer saber o nome dos sócios das malas e caixas de dinheiro no “ap.” de Salvador. A possibilidade causa tremor de pernas em pelo menos três chefes políticos de primeira grandeza. Tantas delações de empresários e tanto dinheiro escondido, isso é sim batom na cueca.

Corrida
Essa quantidade de escândalos e de envolvimento de políticos com propinas pode abrir caminho para uma figura ímpar caso de fato resolva encarar a disputa: o ex-ministro Joaquim Barbosa. Ele teria se movido, e muito, em busca de um partido nos últimos dias. Bom, ao PT é que ele não irá. Sabe-se que pelo menos andou conversando com Marina Silva.

Opção
A cabeça do cidadão é bem fácil de analisar, frente a tantas e deslavadas confusões. Qualquer ser conhecido, que um dia brigou com políticos e não exerce mandato, nem pertença a partidos, leva uma grande vantagem numa virtual participação nas eleições. Se o juiz Sérgio Moro abandonasse a magistratura e se candidatasse, venceria com folga de votos. É por aí, quando entra em cena um Joaquim Barbosa, que foi para cima do mensalão do PT, PSDB, promoveu quebra de sigilos bancários de políticos, fez o que nunca haviam feito, e muito antes da Lava Jato. Ele, muito provavelmente, encorajou o start de aonde se chegou hoje.

Joaquim x Gilmar
Vamos lembrar, ou melhor, não devemos esquecer o arranca-rabo entre Joaquim e o ministro Gilmar Mendes em sessão plenária do tribunal. Barbosa disse: “Vossa Excelência não está na rua; Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro… Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar”.