Policiais militares e civis fazem homenagem ao Dia de Tiradentes, patrono das corporações  
18 de abril de 2019
18 de abril de 2019

Fizeram o yakisoba
Bem que o Corvo avisou, e com certa antecedência. Ao ouvir o programa Contraponto, da Rádio Cultura, com a participação da secretária Kátia Yumi Uchimura e o vereador Marcio Rosa, era possível ouvir ruídos semelhantes aos de uma faca do tipo “Ynagiba”, instrumento usado no preparo do sashimi, quando o peixe é cortado com precisão em pedacinhos que cabem na boca. No caso, o vereador é quem bancava o sushiman.

 

Faca no pescoço
E o vereador manteve o tempo todo a faca na jugular da Dra. Kátia, a secretária de Saúde. Não deu a ela muitas chances de defesa. Mas ouvindo bem a entrevista, a prensa exigia que Kátia exercesse um poder muito além das funções de secretária, fazendo as vezes de “santa milagreira”. E não seria diferente com outra pessoa naquele delicado quadradinho cheio de arestas e espinhos. Olhando para a complexidade na área de saúde, o acúmulo de problemas, a começar pela “terra arrasada, queimada de sal”, herança do governo anterior, nem fazendo milagres as coisas entrariam no eixo, como esperava a população. A meta seria a de pelo menos atenuar a situação. Saúde é o tipo de serviço público que não se deve prometer em campanha. Não depende apenas dos recursos da cidade. Logo, fazer oposição cutucando as feridas no setor é algo fácil e que beira à covardia. Mas faz parte do jogo.

 

Sem defesa
Os políticos entram em chuva de canivete sabendo que serão alvejados; esperam, sim, encontrar algum tipo de proteção que pelo menos modere as espetadas. A solução encontrada por Chico para fazer os curativos naquela secretaria, advindos da hecatombe Reni e depois da gestão Inês, foi contar com os serviços de Kátia Yumi, que assumiu o cargo em abril de 2018. Com acentuado conhecimento na área de gestão e especialização em Saúde Pública, a convidada é mestre e doutora em Saúde Coletiva, também professora universitária na graduação e pós-graduação por 27 anos; foi consultora do Ministério da Saúde no Projeto QualiSUS-Rede, uma parceria com o Banco Mundial. Kátia também atuou na articulação de redes de atenção à saúde para o estado do Paraná. Se alguém assim não deu conta do batente, é de se imaginar o tamanho do enrosco!

 

Impotência
E como sabemos, Foz do Iguaçu é um terreno movediço para pessoas de bem e intencionadas em solucionar problemas. Mas em situações assim, apenas a experiência não conta, é necessário estômago de avestruz, e a anatomia da Dra. Kátia infelizmente é desprovida de um órgão dessas proporções. Não era de ontem que ela havia pedido para deixar o cargo, e a situação foi arrastando-se até ela mesma dar um ultimato: “Não fico mais”.

 

Sem opção
Sendo assim, foi a secretária que pediu para sair — e não saíram com ela, de acordo com algumas especulações. Embora o currículo e as boas intenções, a decisão foi bem recebida em alguns setores, a começar pelo Comus, apesar de não expressar publicamente. O tema foi debatido soturnamente na última conferência do órgão, e desde que Kátia assumiu o posto o conselho engoliu a nomeação atravessada, porque Nilton Bobato era um nome de consenso, levando em conta as diatribes no setor. Mais do que conhecimento, necessitava-se alguém com a personalidade do governo, com caneta e poder de decisão, e Bobato já exerceu função assim no governo Paulo. Mandava mais na Saúde que o prefeito. Bom, nem tanto, mandar em Paulo era algo difícil de se imaginar no extinto “Império das Cataratas”.

 

Não teve jeito
Para quem conhece os problemas no setor, ficou difícil avaliar o que é mais providencial, se a saída da técnica Kátia ou a entrada do Bobato. Isso aconteceu na tarde de ontem e, segundo disseram ao Corvo, não foi assim uma ação voluntariosa por parte do vice-prefeito, e sim um empurrão nele para o vulcão em erupção, efervescente, mais quente que o mármore do capeta! Coitadinho! Chico mostrou a sua face da maldade!

 

Palmas para ele!
O que o Corvo vai escrever não é assim um mérito, muito menos demérito, mas muita gente bateu palmas ao saber que Bobato assumirá a Saúde. Isso não reflete apenas na capacidade do vice-prefeito, mas num provável afastamento dele das ações de gabinete, nas quais ele seria a “trava” em muitas situações. Dizem nos bastidores que o título “Destrava Foz” era mais uma súplica direta ao Bobato do que propriamente um marketing em favor do município. Mas para assumir a Secretaria de Saúde de Foz, convenhamos, o caboclo precisa ter coragem.

 

Tem explicação
Olhando para as enrascadas em que prefeitos e vices se meteram nas últimas gestões, Bobato optou por não levar a vida tão perigosamente. Como uma administração pública é, pictoricamente, uma casinha à beira de um abismo, com um barril de pólvora ao lado do fogão, bastava um indício de problema, uma pequena fagulha, que o Bobato sentava em cima do processo. Para ele, nada anda sem “clareza jurídica”, logo se tornou “a trava”. Como o setor de saúde exige muito empenho, é possível que ele acabe distanciando-se do gabinete, e daí Foz terá chance de destravar de vez.

 

Trabalhou
Dizer que Kátia Yumi não se deu bem à frente da secretaria não é mentira, mas não dá para compará-la com a antecessora. Apesar do descontentamento dos usuários, ela promoveu mudanças, como a integração dos serviços, antes bem dispersos; implantou o e-SUS e PEC na atenção básica; pontuou na 33ª colocação na produção informada no SISAB/MS entre os municípios brasileiros; ampliou a oferta de consultas especializadas e exames de diagnósticos; implantou o horário estendido na atenção básica e o sistema de regulação para consultas e cirurgias eletivas; organizou a integração da oferta de ações e serviços na perspectiva de redes de atenção à saúde; tratou de implantar as linhas de cuidado prioritárias, com avanços e resultados na saúde da criança e da mulher, como a queda na taxa de mortalidade infantil para 9,45/1.000 N.V.; tratou também da ampliação da cobertura vacinal. Não é pouca coisa, mas como sugere um título de filme do 007, “o mundo não é o bastante”, ou seja, por mais que se faça na área de saúde, é difícil e complicado atrair a atenção pública, porque as populações estão expostas às doenças causadas por endemias, vírus; a cada temporada abrem-se desafios. Não é fácil. Cargo de secretário de Saúde é vocação para super-heróis, e eles andam meio sumidos.

 

E tem mais esta…
Contaram para o Corvo que a ala da vereança intitulada “dissidente” (em relação ao governo municipal) articulou um comboio até Curitiba, na tentativa de comover o governador a destinar recursos para garantir o funcionamento do Hospital Municipal. Inês Weizemann, Celino Fertrin, Elizeu Liberato, Kako, Jeferson Brayner e Marcio Rosa estiveram ontem na capital. E aqui entre nós, não fazem mais que a obrigação ao desempenharem papel nesse imbróglio.

 

Em Curitiba
Os nossos gloriosos vereadores rebelados (todos se declararam aliados do Chico em outros tempos) informaram que passariam primeiro pelo gabinete do líder do governo na Assembleia Legislativa, Hussein Bakri, e de lá atravessariam a praça até o Palácio Iguaçu. Foi assim que começaram o processo de amansar a fera, porque segundo consta o Ratinho estava muito contrariado, em razão dos arranca-rabos entre os políticos de Foz. Mas lá souberam que o governador estava debruçado, e não é de hoje, no assunto. No fim, meio que perderam a viagem. A resposta em matéria de números não evoluiu. Não foi desta vez que o coelho saiu da cartola. É que ele está ocupado nos preparativos de entrega dos ovos de Páscoa.

 

Disfarce
Para bom entendedor, um aceno basta. Não faz muito tempo, o prefeito Chico revelou que “forças ocultas” estariam atrapalhando as ações do governo em Foz. Fizeram um fuxico em Curitiba de que Chico estaria pregando a língua no governo e seus articuladores, o que não é verdade. Chico não acusou ninguém. A cidade passou a questionar o que estava acontecendo. O prefeito optou por esperar alguma solução. O histórico da verba para o hospital é coisa antiga e que o Corvo vai narrar com muita calma na edição de segunda feira.

 

O que é inquestionável
Ratinho tem ciência da importância do hospital, e a alocação de recursos é um angu, advindo do governo anterior, dos tempos do Beto Richa e depois Cida Borghetti. Carlos Ratinho Massa assumiu, colocou sobre a mesa todo o compêndio e estuda a situação. Nem precisava da súplica dos vereadores. Tanto que Ratinho pediu ao secretário de Saúde, Beto Preto, para “estudar o limite financeiro possível para que se possa chegar a um valor significativo para a manutenção do hospital”. Entre outras, ficou pela mesma. O deputado Bakri disse a este colunista, no mês passado, que estava trabalhando na pauta.

 

Hussein Bakri em ação
Este Corvo tornou a conversar ontem com o líder do governo na Assembleia, deputado Hussein Bakri. Ele disse que está, mais do que nunca, em cima do problema — e não é de hoje. Deu ares de antecipação das melhores notícias, mas como o jornal estava fechado deixamos para a edição de segunda-feira.

 

E quanto?
O que todo mundo quer saber ainda ronda o genérico. Chico diz que o hospital precisa de R$ 3 milhões; Ratinho chegou à cifra de R$ 1,2 milhão. Agora, pelo que entendemos, é o secretário Beto Preto quem deve refazer os cálculos. Repetindo, o repasse que foi suspenso pelo novo governo está mais enrolado que fumo em corda, porque tem muita ação política no meio. Mas decidimos dar um voto de confiança ao deputado, sabendo que ele goza de grande prestígio junto ao governador. Aliás, se esse repasse não vier, a prefeitura terá um problemão pela frente, porque o município terá de injetar mais recursos próprios.

 

Vermelho em ação
O deputado federal Vermelho esteve várias vezes no governo trabalhando o repasse para o hospital. Falou com secretários e também com o Ratinho. O assunto continuou estancado no valor do repasse, tal como o governador voltou a mencionar ontem.

 

Trabalho de todos
Brigando ou não, uma coisa é certa: Bakri, os vereadores que se consideram de oposição ao governo, Chico, Vermelho, o governador Ratinho e, agora, o secretário de Saúde, todos estão empenhados em solucionar o problema, porque isso precisa ser mesmo resolvido. Como a moda é “destravar”, resolva essa, Ratinho! Foz agradecerá penhoradamente, porque sustentar o hospital atendendo a cidade, região, argentinos e paraguaios, e também turistas de todo o mundo, não tem sido uma tarefa fácil. Pelo momento, sai tudo do bolso dos iguaçuenses!

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GDIA