30 de agosto de 2018
30 de agosto de 2018

Entrevistas
Quem assistiu ao Jornal Nacional e acompanhou a fala dos primeiros presidenciáveis deve ter se decepcionado, pelo menos nas ocasiões em que falaram Ciro Gomes e Jair Bolsonaro. Os âncoras Willian Bonner e Renata Vasconcelos estão forçando a manivela da máquina de moer ossos; quase não há chance de os convidados responderem aos questionamentos. Bolsonaro contou até dez para não estourar ao vivo.

 

Perguntas interestelares
O bloco de entrevistas do JN ronda os 27 minutos, e as perguntas dos entrevistadores ocupam certamente mais da metade desse tempo. O Corvo recordou o saudoso jornalista Selmo Aragão, lembrado pelas perguntas intermináveis. Em certa ocasião, o entrevistado disse: “Pergunta de novo, que eu esqueci o que você disse no início”. Bonner, principalmente, corre o risco de pagar um mico a qualquer momento, porque de certa forma irrita o candidato. Aperta, aperta e aperta e, quando libera o microfone, interrompe o entrevistado antes deste concluir a primeira frase. É o tipo de programa onde o peixe jamais morrerá pela boca, porque não dá tempo de morder o anzol.

 

Quiabos
E diante de um quadro assim, de questionamentos do tipo “prensa”, os entrevistados esquivam, escapam, escorregam… e o telespectador não entende absolutamente nada. Se o propósito era mostrar o candidato para ajudar na opinião pública, as entrevistas são mais um desserviço do que outra coisa. O Corvo fechou a coluna antes da fala de Geraldo Alckmin, o bagre mais ensaboado de todos.

 

Bandeira
Corvo, parabéns pela coragem, e gostaria que transmitisse isso aos colegas de redação. A edição de terça-feira do Gazeta Diário deu um banho de bairrismo, demonstrando claramente a opinião dos iguaçuenses; só assim certas pessoas vão se tocar. Se alguém sair perguntando se é importante votar em candidatos da cidade, garanto que uns 98% da população vai dizer que sim. Nada contra os que vêm pescar votos em Foz, porque fazem isso a vida toda, e os candidatos daqui também vão a outras cidades conversar com os eleitores. Isso é a democracia. O importante é a conscientização da população porque ela faz a diferença. Guardarei a edição da terça-feira passada na minha coleção.
Nair Romão Dias

O Corvo responde: prezada, o jornal apenas exerce o seu papel de informar os leitores. Não se trata de bairrismo, e sim de ressaltar que a cidade possui gente de valor na disputa. E os candidatos daqui vão sim a outras cidades convencer os eleitores porque isso faz parte do processo. Os deputados em geral defendem regiões no entorno de seus domicílios eleitorais. É muito difícil alguém eleger-se deputado apenas com os votos de uma cidade. O caso é que em Foz, historicamente, não se elegem deputados como se deveria, mais por questões políticas locais do que pelos votos levados por candidatos de outras cidades. A falta de entendimento, a desunião, a guerra entre os partidos e a fobia política que beira o irracional não dão chances para a cidade.

Pesquisa?
Um político telefonou para este Corvo dizendo que o jornal Gazeta Diário estaria ferindo a Lei Eleitoral. Segundo ele, o fato dos repórteres falarem com a população sobre as questões comportamentais, as que expõem o pensamento sobre representatividade, grande número de candidatos, invasão de gente de outras cidades e regiões, tudo “é uma forma de fazer pesquisa, e isso só pode haver se houver um registro no TSE”. Santa falta de conhecimento dessa criatura, por favor! Então a imprensa não pode defender os interesses de uma cidade quando é enxovalhada pelo servicinho sujo da ala política? Oras, vá lavar o pé e dormir, porque é uma bandeira do Gazeta Diário expressar o pensamento da população.

 

O que não pode?
Pesquisa é quando se avalia o quadro eleitoral apontando vantagem para uns e desvantagens para outros. O elemento natural de uma pesquisa — enquete e tomada de opinião sobre os candidatos — é revelar quem está na frente e, consequentemente, quem vem atrás. Fazer isso sem o devido registro fere as regras. Em nosso caso, ouvimos a população sobre questões de representatividade e o que esperam dos eleitos, sem citar nomes e partidos e sem expor os candidatos. O Corvo lamenta informar: o Gazeta Diário vai pegar firme nessa empreitada de lutar para que Foz eleja sua gente para os cargos disponíveis; isso só vai mudar quando alterarem as regras eleitorais, como é o caso do “voto distrital”.

 

A quem interessa?
A cada minuto aumenta mais a curiosidade da população sobre o interesse de algumas pessoas em desprezarem os candidatos da cidade em prol de pessoas distantes que mal sabem sobre a realidade de Foz.

 

GPS
É verdade, o Corvo teve a informação de que há candidatos de fora que não sabem absolutamente nada sobre a cidade e que só aparecem em festas e locais de aglomeração pública, naturalmente a convite desses indigestos “anfitriões”. Onde já se viu uma coisa dessas? Votar em Foz é o voto certeiro.

 

Crescimento?
E quem diria, o aeroporto de Foz do Iguaçu é o que mais registrou crescimento nos sete primeiros meses deste ano. E pensar que no terminal as pessoas ainda andam pela pista para o embarque e desembarque; as salas ficam apinhadas de viajantes sem o devido conforto; os preços dos serviços e produtos nas salas de embarque são astronômicos; o transporte até a cidade ainda é limitado, entre outras. O destino está em crescimento, e as melhorias no aeroporto caminham a passos de jabuti. Logo, o sufoco dos visitantes pode causar um efeito contrário.

Apoio
Este Corvo leu sobre pelo menos três iniciativas de ajuda ao Lar dos Velhinhos. Estão promovendo jantares, bingos, sorteios… e há muito interesse por parte de voluntários na criação de campanhas e ocasiões que possa ajudar a entidade. Isso mostra o quanto o iguaçuense é apegado às causas do “lar”. Mesmo com essa comoção, há que se tomar alguns cuidados, porque sempre parece algum vivaldino querendo levar vantagem. O povo está de olhos bem abertos. O objetivo é ajudar a entidade, e não melhorar a vida de quem nunca passou pela porta dela.

 

Galera da Melhor Idade
O Lar dos Velhinhos ganhou um aliado de peso em suas ações: a página semanal do jornal dedicada à melhor idade irá abrir espaço à causa. Deve haver histórias emocionantes entre os abrigados. Mas, independentemente disso, a sociedade precisa acolher melhor os idosos, porque eles têm muito o que ensinar.

 

No Japão
Os japoneses se orgulham de possuir a maior população de pessoas com mais de 100 anos. Detalhe, boa parte delas está em atividades sociais. Lá, na Terra do Sol Nascente, idoso frequenta escolas para ensinar como eram as coisas antigamente, que ferramentas usavam, como raciocinavam frente aos problemas que enfrentavam e de que forma achavam as soluções.

 

Todo mundo chega lá
O problema é que as pessoas nunca pensam que um dia podem precisar de entidades como o Lar dos Velhinhos. O tempo passa voando, as dificuldades começam a surgir, e abençoado é aquele ou aquela que receberá os cuidados e o carinho dos filhos e netos. Infelizmente o Brasil ainda não encontrou uma política decente para crianças e idosos.

 

Ópera Rita
Corvo, que felicidade saber que Foz está realizando espetáculos dessa magnitude! Lá pela década de 70, nem me lembro mais ao certo, vi a ópera Rita na Europa; estava em cartaz fazia uns dias num festival parisiense. Embora meio desconhecido no Brasil, o trabalho de Donizetti é muito bacana, calçado na “Opéra-Comique”. O senhor conhece o folhetim (Libreto), seu Corvo? É muito bacana. Vou fazer a minha reserva, com certeza. Me passa mais umas informações, por favor.
Olavo Dalla Lemos

O Corvo responde: sim, o Corvo conhece, pois é muito chegado às operetas cômicas. Donizetti escreveu a peça em 1841. Rita era a proprietária de uma hospedaria, e é lá que ocorre um fuzuê, com o retorno do ex-marido. Um achava que o outro tinha morrido. A moça era tinhosa, bocuda, batia no atual marido, uma figura impossível de se lidar. Os “maridos” então fazem um jogo para saber quem ficará com a Rita, mas ninguém quer ganhar. Alguém disse que o Chico Buarque de Holanda escreveu o samba Rita baseado na vilania da personagem de Donizetti. Pode ser, pois a música surgiu na época em que o autor revirava as óperas francesas, de onde, mais tarde, buscou inspiração para a Ópera do Malandro. Rita será encenada em “A Casa” neste sábado, 1º de setembro.

 

Regularização fundiária
A prefeitura de Foz está realizando um levantamento bem apurado sobre famílias que residem em áreas irregulares. Leia-se irregulares, lotes espalhados em toda a cidade, entre eles áreas verdes. Hás situações em que haverá a regularização, mas disseram ao Corvo que as pessoas que habitam margens de rios e localidades de risco vão precisar achar outro local. Segundo informações, esse programa vai aquietar a vida de muita gente.

 

Transporte público
Como é época eleitoral, algumas ações públicas ficam mais amarradas que porco antes da execução, mas disseram ao Corvo que há uma equipe fazendo um estudo bem aprofundado sobre transporte coletivo, bem como de outras áreas da mobilidade. Pelo tanto de gente trabalhando, deve ser um estudo conclusivo, e como o transporte é uma caixa de marimbondo, é provável que o tema antecipe-se.

 

Medidas
O Corvo fez tudo para saber mais do assunto; a única dica que deram foi sobre a possibilidade de o terminal ao lado do Batalhão do Exército deixar de funcionar. O novo sistema dispensaria a necessidade de um “terminal”. É possível que alguém já esteja de olho no local para realizar uma “feirinha” permanente por lá, a exemplo de como acontece em outras cidades.

 

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GDIA