30 de julho de 2018
Chef´s Choice estréia no Bona Trattoria
31 de julho de 2018

Curando candidatos
Treinadora das campanhas de Lula, Dilma Rousseff e Aécio Neves, Olga Curado deu entrevista à revista Época dizendo que foi procurada por quase todos os presidenciáveis, mas decidiu não trabalhar com nenhum. Vejam alguns trechos da entrevista.

 

É possível conter a intempestividade de Ciro Gomes (PDT)?
É possível a partir da consciência dele. A impulsividade tem a ver com o perfil de alguém que sempre esteve acostumado a ver suas vontades serem prontamente atendidas e se torna impaciente quando isso não ocorre na velocidade e na forma que desejaria. Ciro precisa aumentar um pouco a escuta, fazer alguns exercícios de respiração e praticar a paciência consciente. Antes de fazer algo de que tem vontade, deve beber um copo d’água. Se quiser dar um soco, antes deve pegar os óculos ou uma caneta. Antes de responder a qualquer questão, deve contar até quatro para ter um tempo para se organizar.

 

A pré-candidata Marina Silva (Rede) pode ter uma imagem menos frágil?
A Marina não tem uma fragilidade só por causa da aparência, mas também pela voz. Ela até tem usado roupas que não evidenciam que ela não é corpulenta, mas a voz falha. A imagem da Marina não é só de uma pessoa fraca, mas também de uma pessoa orgulhosa. E o orgulho pode esbarrar na arrogância. Isso aparece num discurso empolado, em que ela tenta mostrar como superou a história de pobreza e analfabetismo e se tornou erudita. Ela precisa simplificar o discurso, fazer fonoaudiologia e comer um pouco mais.

 

Geraldo Alckmin (PSDB) já foi apelidado de “picolé de chuchu”. O que ele deve fazer para ter uma imagem de um político mais incisivo?
O Alckmin não abre a boca, fala travado, não passa entusiasmo. Não tem gestos amplos, não abraça. Ele é tenso e passa imagem de que não confia em ninguém e está sempre na retranca. Isso está no rosto dele, na maneira de se vestir e de pentear o cabelo. O Alckmin tem de soltar a franga: rir mais, mudar as roupas, se aproximar das pessoas. Ele é mais picolé do que chuchu.

 

Como trabalhar a truculência demonstrada nos discursos de Jair Bolsonaro (PSL)?
O Bolsonaro é um sedutor que tem a profundidade de um pires. Sua truculência faz parte de um personagem. Ele é um charlatão com habilidade de criar um discurso e um comportamento para seduzir um grupo específico, que quer acreditar em Papai Noel. Tem a visão de mundo de uma janela de delegacia. Neste momento, é possível perceber que Bolsonaro está se controlando, mas ele é irritadiço, principalmente quando confrontado. Essa irritabilidade tende a aparecer em debates. Ele tem pouca paciência e se sente atacado quando sua capacidade intelectual é questionada. Se houver questionamento, ele vai mostrar um lado descontrolado.

Share

GDIA