Encontro debaterá ações de combate ao trabalho infantil em Foz
30 de abril de 2018
30 de abril de 2018

(Des) “entendimento”
Foz do Iguaçu é a capital do puxa-puxa, onde todo mundo “acha” que pode, que sabe e que quer. Em muitas ocasiões, é uma cidade carente de humildade e bom senso, predominada pelo “achismo” e soberba, o que acaba afastando investidores e grandes negócios. Qualquer grande investidor que conversa com os setores produtivos e políticos acaba pensando assim: “Será que vale a pena eu entrar nesse redemoinho ou na areia movediça”? E não demora, essa mesma pessoa vai olhar outros lugares e encontra opções menos conflitantes. Vamos pensar: por que será que Foz perdeu todos os grandes eventos de expressão?

 

Fim de linha
Quem não conhece bem a cidade acredita que ela é uma baita terra de oportunidades, cheia de perspectivas e opções de desenvolvimento, pois não poderia ser diferente, é uma ilha de maravilhosos atrativos e que atraem, como um imã, uma força gravitacional inexplicável. Mas infelizmente, graças à predação das boas ideias, muitos acabam considerando a cidade uma espécie de “fim de linha”. Que barbaridade!

 

Falação
O Corvo faz uma análise dura assim em razão da maneira com a qual algumas pessoas se manifestam frente a temas importantes, como é o caso da instalação de lojas francas. Não precisam ser gastos muitos telefonemas para concluir que o nome de Foz muda para “Babel”, de um minuto a outro. Colocam tantos empecilhos e se atravessam aberrativamente, num tema de tamanha complexidade, que causam pavor aos que querem investir e possuem conhecimento no setor. Isso assusta. Não será de estranhar se num futuro próximo uma cidade cujo nome raramente seu ouviu falar despontar no cenário como a nova vedete das compras na faixa de fronteira. Isso acontecerá, e com certa facilidade, se depender da cabeça de algumas pessoas.

 

Lições
Mas é assim em tudo. Investidores tomam vacina antes de pisar na fronteira. Não é diferente no setor político. Foz não fala o mesmo idioma, enquanto povoados bem menores agem por telepatia. Isso é um evidente atraso, fruto de um passado obtuso, cujos líderes não valiam uma merreca. Não investiram em educação, em formação do cidadão, na valorização do solo onde vivem, daí é fácil explicar tantas deformações. É possível observar isso acontecer quando as eleições se aproximam. Não é possível que depois de tantas surras e vexames Foz não tenha aprendido a se organizar. Que barbaridade!

 

Falação II
E o impressionante é que essas pessoas que falam, falam, falam e interagem com o que não deveriam trabalham mais pelo “desagregamento” do que para outra coisa; não investem um centavo; afogam as boas ideias e depois saem cantando de galo. Quem de fato produz, gera empregos e está na ponta do desenvolvimento, evidentemente, não quer se expor no meio dessa lagoa de piranhas famintas. Quem se julgar uma piranha por favor tire a cara fora d’água. Quando o assunto é investimento, o correto é perguntar aos investidores como pretendem fazer, e não querer dizer a eles o que deve ser feito. Puxa vida, agir dessa maneira dá no mesmo que tocar as pessoas à base de pontapés.

 

Grande dúvida
Para se ter exemplo, no momento em que discutem um local para a instalação de um complexo de lojas francas, uma porção de “nativos” bate o pé dizendo querer que isso ocorra aqui, ali e acolá… cada um puxando a brasa para a sua sardinha. Mas não seria o caso de primeiro ouvir quem de fato vai enfiar a mão no bolso? É uma comparação um tanto dura, mas um investidor, ao visitar Foz, acaba sentindo-se num caldeirão cercado de botocudos; uns alimentam a fogueira, outros colocam água, e a maioria fica olhando qual parte vai comer primeiro. Esse senso de canibalismo empresarial e político precisa ser erradicado.

 

Exemplo
Há quem insista que as lojas francas devem ocupar o Jardim Jupira porque lá há muitos imóveis fechados. Alguém teve o cuidado de saber a razão de as portas estarem baixadas? Outro tanto de pessoas acredita que a área ideal é a Avenida das Cataratas, quando se sabe que boa parte dos imóveis de lá, capazes de abrigar investimentos de vulto, está mais do que enrolada pela falta de pagamento de impostos; quer dizer, cada um tenta induzir ao seu modo, num jogo de especulação tão medonho e sem cabimento de causar arrepios nos investidores. Acreditem, há quem chegou com um belo projeto na semana passada e ontem já estava em Guaíra.

 

Reação
Era de se esperar que o presidente do Legislativo local, vereador Rogério Quadros, fechasse imediatamente a mão sobre a questão do pagamento de 13º aos vereadores. Rogério não quer carregar um saco de dejetos desse tamanho, pesando toneladas em matéria de desagravo público.

 

Chico e os apoios
O Corvo deve imaginar a saia-justa em que o Chico Brasileiro se meteu ao ser visitado por uma penca de políticos pedindo apoio. A situação de Foz está bem complicadinha para o prefeito dizer um “não”, ou que vai pensar, para algum candidato. Terá de bancar o equilibrista até as eleições, a começar por um cenário incógnito. Um errinho, e Foz vai para o freezer.

 

Perigo
É o risco que se corre ao não eleger mais representantes na Assembleia e Câmara Federal. A cidade é “socorrida” por vários deputados de fora, logo eles querem o troco. Se Foz possuísse uma bancada, os pedidos de para-quedistas seriam bem menores e mais cautelosos.

 

Jesus voltará!
Corvo, eu rezo muito para que o filho de Deus realmente volte e dê jeito neste mundão velho, cheio de coisas ruins. Mas se Jesus voltar mesmo (tenho fé), deve começar punindo esses crentes que picham a rua e as propriedades da gente anunciando a sua volta! Já não basta esses moleques irresponsáveis? Estou furiosa. Sou uma aposentada e economizei para pintar o muro e a casa, e numa manhã, sem mais nem menos, estava tudo rabiscado com “mensagens do Senhor”. Duvido que Deus faria uma coisa dessas. Então cometi um pecado: apareceram uns crentes no portão querendo dar aquela palavrinha sobre a Bíblia, pedi que esperassem e saí com um balde, detergente e vassouras, para eles limparem a pichação. No início ficaram olhando, e não sei ao certo explicar, mas o homem tirou o paletó e começou a esfregar as paredes. Acabei na maior vergonha. Acho que minha ira foi aplacada por meio de um ensinamento, mas ainda estou chateada pela sujeira.
Magdalena Queiroz

O Corvo responde: prezada leitora, o caso é que não se pode generalizar. Umas pessoas levam a missão a sério, de evangelizar e propagar a palavra de Deus, pois acreditam que assim estão cumprindo exemplarmente o seu papel. Outras se manifestam por meio da pichação, mas apesar do estrago não deixam de exaltar a fé, embora destruir a propriedade alheia e o bem público seja uma prática criminosa. Infelizmente temos de lidar com situações assim. Pichar os muros e paredes é possivelmente a expressão mais antiga promovida pelo homem, desde o tempo das cavernas. Só endurecendo a lei e dando exemplos de punição para isso diminuir.

 

Qualidade
Corvo, li atentamente o seu desabafo sobre a qualidade dos políticos, em texto que foi publicado na semana passada. Eu, aqui, peço desculpas pelo que vou escrever, mas o problema não é o oportunismo, a cara de pau, o disfarce que os políticos usam em épocas de eleições. Não é essa qualidade que está em jogo, mas sim a “qualidade do eleitor”, pois se a massa que elege fosse consciente e de fato pesquisasse e se unisse, baniria essas pessoas sem escrúpulos do meio, purificando os atos públicos. O problema continua sendo a ingenuidade e falta de vontade do eleitor em ser duro na escolha. Portanto a culpa não é só dos políticos.
Mauro Vasco Dornelles da Silva

 

Lançando rojão
Corvo, será que algumas pessoas pensam que somos idiotas? Não me oponho à eleição de ninguém, apenas penso que a cidade possui algum defeito na estrutura social ao se mostrar tão apática com essas candidaturas que mais parecem fogos de artifício. Tudo bem, a Constituição dá um resguardo legal para essas pessoas, mas elas mesmas sabem que isso é imoral. Sabem que a cidade padece, perde, quando criam esse tipo de confusão na cabeça do eleitor. Já que os políticos não se unem, os eleitores deveriam unir-se.
Marcello V. Feijão

 

Redes sociais
Prezado senhor Corvo, é a primeira vez que lhe escrevo e gostaria muito que publicasse a minha cartinha (e-mail). Chego a morrer de rir com as pérolas que leio nas redes sociais, quando algum político me inclui (sem autorização) num desses grupos para discutir candidatura. É uma piada. Ficam alimentando-se do próprio ego e não desconfiam de que as pessoas que interagem estão de zombaria, curtindo com a cara deles. É por isso que quando saem os resultados nas urnas, muitos candidatos caem em depressão. Mas o pior não é isso: sei de gente que está até hoje pagando contas das eleições para vereador. Mas, Corvo, isso tem nome: democracia. A nossa missão é diminuir os defeitos dela. Acredito que um dia seremos como uma Noruega da vida, com ordem e seriedade nos processos eleitorais.
Marco Gio Del Neri

Respondendo aos leitores, pesquisar é fundamental, porque há especialistas em enganação e em iludir a população. Quantas pessoas nos enganaram nos últimos anos, na política, afinal? Isso deveria ser suficiente para nos unirmos e acabar de vez com o oportunismo. No entanto continuamos a errar quando concordamos com a palhaçada que fazem desde o início do processo, especialmente com a divisão do voto, um vício traiçoeiro e que nos deixa “perdidos no espaço”. Redes sociais também não fazem a cabeça de quem tem conteúdo. O certo é manter a esperança e pesquisar.

 

Sem circulação
Amanhã, Dia do Trabalhador, este jornal não circulará. Estaremos de volta na quarta-feira, dia 2. A todos um bom feriado. Na semana que vem, o Corvo abrirá um canal direto com o leitor — e de uma forma bem-humorada. No mais, agradecemos pelo sucesso que é o GDia!

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GDIA