Iniciou e acabou…

Opinião
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Iniciou e acabou…

Chico começou a reforma administrativa na sexta-feira e, dizem, o assunto se dá por encerrado. Não é bem assim, o Corvo deu uma pesquisada e tudo leva a crer que ainda haverá algumas mudanças, mas a maioria no mundo do segundo escalão.

A “casa das quatro mulheres”
O Corvo amanheceu no domingo com muita preguiça, mas certamente há mais mulheres em cargos relevantes da atual administração. Pena Chico não aproveitar o momento da semana da mulher para as modificações.

Foi e não foi
Muita gente ainda não entendeu a razão de duas coletivas desmarcadas na sexta-feira e, logo em seguida, o anúncio das mudanças nas pastas e a criação de uma nova secretaria especial. Mas a notícia da economia, ou seja, o fato de aproveitar funcionárias de carreira bem graduadas, agradou a quem o Corvo teve tempo de ouvir. A população gosta quando servidores de carreira assumem cargos que poderiam ser ocupados por nomeados, ou “estranhos no ninho”. E de outra ponta, os servidores se sentem prestigiados.

“Estranho no Ninho”
É o nome de uma obra magistral do cinema (One Flew Over the Cuckoo’s Nest), que nos revelou o grande Jack Nicholson, em 1975, mas o termo também é empregado para pessoas que acreditam que um cargo de secretário em administração pública municipal seja uma tetinha de sugar leite. O vivente é “presenteado” com um cargo pelo desempenho ou ajuda que prestou em campanha e, sem a devida competência, passa a interferir na vida dos servidores sob suas ordens. Em grande parte, as nomeações acabam nisso. Mas não vamos generalizar, há nomeados que são muito queridos pelos servidores.

“Alocou”
A matéria publicada na página de política deste jornal (3), na edição de sábado e domingo, teve a seguinte manchete: “Prefeito troca duas secretárias, cria pasta para a primeira-dama e retoma Secretaria de Governo”. E a linha auxiliar dizia: “Chefe do Executivo mudou o comando de duas pastas, implantou uma nova para alocar sua esposa e retomou o funcionamento de outra”. Algumas pessoas não gostaram dos termos empregados e reclamaram. Detalhe: este Corvo não acredita que nem o Chico e menos a primeira-dama, agora secretária especial, tenham se importado com o que foi escrito. A zanga está mais no campo dos puxa-sacos do que outra coisa.

Dona Rosa
Embora primeira-dama, pessoa aguerrida no processo de eleição, e não é segredo a sua influência no governo, Rosa Jeronymo não é de aparecer ou sair por aí “mandando, fazendo e desfazendo”. Pelo contrário, ela é ponderada, ouve, conversa e pensa muito no teatro de operações municipais. Isso não é um elogio, e sim a constatação da realidade. Rosa, antes de mais nada, é uma mulher que cuida do marido e da família, o que é muito natural. E aqui entre nós, é bom mesmo alguém balançar o pau de macarrão em sinal de advertência, pois prefeito que não se esperta amanhece com o umbigo no Tribunal de Contas e coloca os bens à disposição inclusive.

Ela trabalha
Rosa, servidora pública de carreira desde 1992, é psicóloga e deve manter o salário de pouco mais de R$ 12 mil, uma vez que no cargo de secretária extraordinária de Direitos Humanos o salário é menor. O caso é que ela vinha atuando e firme no segmento, congraçando várias atividades e em diversas frentes, quase todas ligadas às questões que agravam as diferenças sociais. É uma atividade com mais amplitude e que faz da Ação Social apenas mais uma das ferramentas. Chico e Rosa arranjaram um nome mais fácil de assimilar para a secretaria, pois ela poderia muito bem chamar-se “Secretaria da Qualidade de Vida” ou “Secretaria Extraordinária no Combate à Trituração de Ossos”, pois quando o cidadão não vive bem e não possui os direitos assegurados, fica doente mais corriqueiramente, piora a segurança, leva uma vida conflituosa, os filhos se desencaminham, e aí por diante. Rosa vai cuidar de uma horta de pepinos nada pequena.

Mundico
Foz tem disso, de ser uma cidade espetacular e, em alguns aspectos políticos, um mundico sem eira nem beira. Bastou o prefeito anunciar a criação de uma secretaria, e informar que a primeira-dama atuaria nela, que já surgiu um bode expiatório espalhando que a dona Rosa seria candidata nas próximas eleições. Deus nos livre o Chico editar uma versão Reni, que fez da mulher deputada estadual. Bom, se bem que a Cláudia foi feita pelo Ratinho Júnior, e dizem que ele anda meio arrependido ultimamente. Mas voltando ao caso da secretária extraordinária Rosa Jeronymo, que nem filiada a partido seria, uma de suas missões é trabalhar para valer a agenda com as associações de moradores; ela ficará na interlocução entre os bairros e o governo, indo pra cima das questões mais agravantes, o que foi uma das promessas de campanha do maridão.

No governo
Este Corvo publicou uma nota que arrepiou o cangote de algumas pessoas. Foi sobre o temperamento da nova secretária de Governo, dona Salete Horst, que não leva certas coisas para casa, como se diz no coloquial. A informação é que Salete, uma espécie de trator com o câmbio emperrado na primeira marcha, atuará apenas na área técnica de captação de recursos, convênios e atividades que requerem mais atenção. Mas este Corvo sabe bem como funciona isso, pois no dia em que aparecer um chato será comum ouvir: “Manda ele pra Salete”.

Onde foi o Chico?
Voltando ao assunto “das coletivas de sexta-feira”, na verdade este Corvo havia sido convidado para apenas uma; o encontro foi demarcado devido a um tema dos mais importante. O prefeito precisou desmarcar tudo para se encontrar com o povo do PTI e Itaipu Binacional, e por uma causa que vai sacudir muita gente de alegria: melhorias urgentes nas estradas rurais.

Paisagens
Isso, o entorno do município é a coisa mais linda de se apreciar; aliás, Foz é um luxo em matéria de sair rapidinho da área urbana e se perder em meio às belas plantações. Há quem diga que há dois horizontes magníficos a se contemplar: o oceano e o verde sem fim, como é o caso de quem avista a panorâmica que há na Avenida das Cataratas. Mas tudo isso, lindo de morrer, é complicado de se conferir por perto devido à lamentável situação das estradas rurais, cheias de buracos, desníveis, fossos e pedras que cortam os pneus como fossem lâminas afiadas. Boa parte dos trechos é do tempo do Dobrandino, imagina? No máximo jogaram um pouco de asfalto em meia pista num dos trechos. Isso pode ter fim, pois Itaipu poderá sim dar jeito na situação, porque faz parte do mapa de desenvolvimento regional da hidrelétrica. A medida não apenas ajuda a melhorar o local para os visitantes, mas apoia diretamente os produtores rurais, que não são poucos.

Na Saúde
Pós era dos estragos, eis que alguém teve coragem de assumir a pasta mais labiríntica da história da cidade. Faz tempo que o ofício de secretário de Saúde é sinônimo de “campo minado” ou “mapa do inferno astral”. O mortal que se habilitar ao posto saberá que terá de levar junto uma maleta de primeiros socorros jurídicos. Contaram para o Corvo que a recém-nomeada secretária Kátia Yumi Uchimura, depois de consultada se queria assumir o cargo, passou dois dias numa banheira cercada de alecrim, espada de São Jorge, manjericão, arruda, comigo-ninguém-pode, guiné e pimenta, as sete ervas poderosas da proteção! Certamente vai levar um Buda para a sua sala, na secretaria, tocar sino e acender incenso de âmbar e anis estrelado. 112Claro, não faltará o sal grosso em cada canto. Que barbaridade! Bom, se o Corvo assumisse o maior orçamento do município, teria agenda semanal com pai de santo.

Dona Inês
Ela volta para a Câmara, onde a coisa não é como o Big Brother, em que há um paredão por semana. Lá poderá espairecer uns tempos, até desgrudar o chiclete que o Dr. Brito lhe deu de presente. Parece que terá alguns incômodos pela frente, pois, segundo informações, o Cazuza garantiu que vai jogar no ventilador caso lhe seja assegurado um acordo de delação. Mas como Inês será vereadora, poderá rebater da tribuna o que supostamente virá. E ainda há o caso Cristalink, que promete novos rounds; além de uma virtual auditoria na Secretaria de Saúde, motivo pelo qual teriam inclusive criado uma “Supercontroladoria”.

Mão na massa
Pois então, Kátia Yumi Uchimura, e sua conhecida paciência oriental, estaria na lista para ser a “supercontroladora”; ela possui o perfil para o posto, em especial com destaque nas áreas de gestão em sistemas de saúde. E é aí que pode morar um segredo: as novas secretárias estarão em constante atividade na apuração de informações que abastecerão a “megaultrassupercontroladoria”.

Quem será?
Contaram para o Corvo que o nome de Adilson Pasini foi proferido várias vezes para assumir o cargo de “supercontrolador”. Acontece que atualmente Pasini realiza um importante trabalho na Unioeste e teria declarado que não quer sair de lá tão cedo. Uma pena, Chico dormiria tranquilo, pois pelo Pasini não passa uma agulha — e, se tiver carta branca então, pobre de quem pensar em usar o cargo para coisa errada. Também há a informação de que a nova pasta, a “inquisição” municipal, seria chefiada por um triunvirato.

E o Meio Ambiente?
Ser gestor das questões ambientais em Foz, ultimamente, é algo um pouco mais complicado que comprar bananas e pentear os macacos do Bosque Guarani. Há o “pepinódromo” das licenças ambientais e a Polícia Federal em cima de uma pilha de processos. O gestor da pasta terá de lidar com o apuramento daquilo que for revelado nas investigações, e não é coisa pouca. A pasta lidará diretamente com os projetos de recuperação dos rios que cortam a cidade, pois a água, o bem mais precioso do planeta, é uma das especialidades da nova secretária, Ângela Meira.

Coritiba x Foz
Mais uma vez este Corvo vem protestar publicamente em razão do horário de fechamento da coluna. Os editores baixaram uma lei de que os textos devem ser enviados até às 15 horas do domingo. Sendo assim, fica impossível este Corvo comentar os bastidores dos jogos do Azulão. Mas nas próximas edições haverá comentários, pois a partida foi transmitida e deu para ver os detalhes.

Vergonha

O leitor Adão Luiz Almeida circulou em sua rede social e de contato com os amigos a ilustração de capa do jornal Le Monde. Segundo ele, e o Corvo é solidário, é uma vergonha para todos os brasileiros. O “cartum” mostra o tribunal de exceção brasileiro, os homens de toga como o ministro Gilmar Mendes ao lado do presidente com Plumas; em outras palavras, seria o assassinato da Justiça, com os manipuladores e manipulados, o “pato de Troia” e o povo com camisa de futebol. É o jeito que o Le Monde vê o Brasil, ou seja, aquele e outros jornais em todo o mundo.

 

 

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GDIA