Dedicação

Na Geral
5 de março de 2018
Opinião
5 de março de 2018

Dedicação

Este Corvo tem o prazer de anunciar que o espaço de hoje é todo dedicado ao setor de Saúde desta maravilhosa cidade chamada Foz do Iguaçu, amada de coração e alma por uns e desamada por gente que acha que sabe. “Achar” que sabe e ao mesmo tempo mexer com a disposição do povo, e o dinheiro dele, são pecados pra lá de capitais.

Filas na Saúde
Taí um imbróglio que chamou a atenção do povo: um vereador põe em discussão um projeto para limitar o tempo nas filas de espera na área de Saúde, e os gestores de lá reconhecem que é impossível realizar exames médicos em 15 dias, consultas em 30 dias e cirurgias eletivas em 60 dias. Aos olhos da população, o resultado da audiência pública ocorrida na última sexta-feira (2) fez um chiado de chaleira fervida. Com uma resposta assim, o cidadão sofre sem ficar doente. Bom, o vereador João Miranda não tirou os prazos de uma cumbuca, ele ouviu a população e até mesmo servidores. O resultado de sua pesquisa quer dizer: quanto tempo um cidadão aguenta para ser consultado, atendido e socorrido, para continuar vivendo, sem dor, sem sofrimento, em condições de dignidade. Será que é preciso traduzir a situação de outra forma?

Na vida real
Um cidadão que não está bem, ou que vê um filho adoecer, ou o pai sofrendo com um dos males da idade, corre para a rede pública de Saúde pensando no atendimento imediato e não em ouvir sobre as impossibilidades de ser atendido, muito menos desculpa da má gestão passada. O cidadão quer o doente de frente para o médico.

Crianças e idosos
Mas voltando ao projeto do João, ele prevê a redução do prazo para “três” dias para a consulta de idosos, debilitados, portadores de necessidades especiais e gestantes — isso quando não for o caso de internamento imediato. Estabelece também que em se tratando de criança com idade inferior a 10 anos ou portador de doença grave, os prazos ficam reduzidos em um terço, ou seja, dez dias para exames, 20 dias para consultas e 40 dias para cirurgias eletivas. A resposta foi: “Os prazos estabelecidos, conforme está no projeto de lei, são inexequíveis. Fortalecer a rede é mais importante”, no momento. Vai explicar isso aos doentes, aos pais e cuidadores de pessoas que entram na fila. O Corvo alerta: cidadão iguaçuense, faça tudo para não ficar doente!

E quanto tempo?
Pior, os técnicos e a senhora secretária Inês da Saúde analisaram o projeto e foram para a audiência pública sem uma estimativa ou uma contrapartida para dar atendimento ao público; uma palavrinha sequer que ajudasse a atenuar um drama da população. Na altitude insólita do seu conhecimento na área, dona Inês limitou-se a dizer: “Quando se chega na Secretaria de Saúde se dá conta que não é possível fazer tudo que é necessário”. Que barbaridade!

Inês do quê?
Depois da esdrúxula manifestação da secretária, o que foi uma contradição à sua propositura política, o que a elegeu vereadora inclusive, Inês pode ser chamada de tudo, menos “da Saúde”. Nos discursos e falas eleitorais, seu posicionamento era de elevado conhecimento, de alguém que daria jeito na calamitosa situação. A verdade é que não sabia de nada. Pior, o seu “suposto entendimento” e a urgência de atenuar o sofrimento dos iguaçuenses foram o que a levaram para a prefeitura; um erro lamentável, e hoje muitos vereadores se dão conta e estão arrependidos. Se alguém mais eficiente assumisse a missão de ser prefeito, quatro meses fariam uma senhora diferença na vida da população. Mas escolheram a Inês da Saúde. Taí o resultado.

Herança
Se os iguaçuenses levassem a sério o ato da penitência, igualmente aos monges medievais, depois de elegerem o Reni Pereira e os vereadores daquela fatídica legislatura, a autoflagelação ainda seria praticada em praça pública. Em razão disso, a cidade atravessa um ano de sobressaltos, com deficiência em muitas áreas de atendimento direto ao cidadão. E, apesar do otimismo do prefeito Chico Brasileiro, a Saúde ainda é um “calo”, bem maior que os buracos, os problemas na área da Ação Social e Educação, pastas que também são críticas, mas com gestores competentes e que estão, aos poucos, apagando os incêndios, fazendo a roda girar. Isso é uma realidade. O problema é que o orçamento da Saúde é de quase R$ 262 milhões, cerca de 45 milhões a mais do que o da Educação. Sendo assim, quando o gestor joga a culpa no “desconhecimento”, dói em algum lugar no contribuinte. Pergunta: no projeto do João Miranda, quanto tempo está previsto para o atendimento do contribuinte com “dor no bolso”?

Tá na hora, tá na hora…
Sendo assim, depois desse desempenho magistral à frente do Executivo e em sua mais importante pasta, dona Inês finalmente exercerá o mandato para o qual foi eleita. Compartilhará uma das nobres 15 cadeiras do Poder Legislativo, no qual as coisas estão um tanto mais ajustadas nos dias de hoje. Como canta a Xuxa: tá na hora, só que não de brincar. Se não se cuidar, Inês pode encarar um triturador ligado em 220v, ainda por se tratar de ano político. Pergunta deste Corvo: que plataformas ela levará para o palanque depois de gastá-las todas nas últimas eleições e de não cumprir absolutamente nada quando teve a chance? Tomara que o destino a socorra, porque se falta de competência fosse doença, seria o último item na lista do João Miranda, portanto sem a mínima perspectiva de atendimento na gestão de Inês “na” Saúde.

E o assunto não acaba
Mal este Corvo saiu da página 03 deste jornal, em que a notícia era o caso da audiência pública sobre os prazos da Saúde, já caiu na página 07, com o título: “‘Fui eleita para ser vereadora, não secretária de Saúde’, afirma Inês”. Puxa vida, não diga, tia Inês! Então de quem é a culpa?

Contradição
A esta altura deve estar saindo uma fumacinha da cabeça de alguém no PSD, um partido de gente muito séria e comprometida com a região, afinal é a ele que dona Inês Weizemann é filiada. Na semana passada, o secretário-geral da agremiação político-partidária, José Ruy Alexandre, adiantou que a secretária deixaria a administração para atender a um pedido da Executiva Estadual e disputar uma das vagas na Assembleia Legislativa. Segundo o Corvo apurou, a ideia não é assim “uma Brastemp” por parte de todos os executivos daquele partido. Na verdade quase ninguém sabia disso por lá.

Ela deve saber
Como diria o personagem dos desenhos animados Leão da Montanha (em dublagem do grande Lima Duarte), Inês arranjou uma saída estratégica pela direita, ou seja, demonstra textualmente que se tocou e que neste momento sua participação na eleição pode causar um arranhão nos candidatos com os quais virtualmente venha a fazer composição.

Inês é famosa
Pelo fato de não sair da mídia, por bem ou não, dona Inês tornou-se sim uma personagem corriqueira da nossa política. Se não dessem tanta bola para ela, talvez não fosse tão importante no cenário. Essa importância tem o seu valor no “mix” da informação. Uns avaliam como bom, outros nem tanto.

Recomeço
Pode ser que a quase ex-secretária e futura vereadora Inês Weizemann esteja de fato começando a pisar em pedras mais sólidas. Fez em pouquíssimo tempo segundo grau, faculdade, mestrado e doutorado em enrascadas políticas. Está escolada. Pode ser que venha a se tornar uma vereadora produtiva, longe do liquidificador, evidentemente. O Corvo sempre torce favoravelmente.

Saúde, como é que fica?
Eis aí uma questão: na história de Foz, no setor da Saúde, tentaram tudo e pouco deu certo. Políticos, religiosos, voluntários, administradores, médicos, economistas, técnicos em gestão, todo mundo já foi testado. Qual será a bola da vez? O que fará Chico Brasileiro? É a pergunta da hora.

Indicação política?
É pouco provável que algum partido indique o próximo secretário. Todos conhecem o areal movediço. Da Secretaria de Saúde ultimamente se sai desgastado ou preso. O discurso, pelo que o Corvo sondou, é por uma nomeação técnica.

Qual o perfil do secretário?
Alô, alô marciano, tem alguém disponível no seu planeta? Contaram para o Corvo que até os cubanos já ofereceram ajuda ao Chico, mas até ele, que é um bom comunista, não achou uma boa ideia. Diante do retrospecto, o setor médico também não está muito disposto dar pitaco no assunto; e as ONGs estão escaldadas. Segundo é sabido, o prefeito Chico procura alguém com ideias, vontade de trabalhar, conhecimento e canela ensebada; bem que poderia chamar o Paulo Mac Donald para assumir a pasta. Opa, parece que ele ainda está impedido.

De cocheira
O vice Nilton Bobato possui boas ideias, iniciativas e é conhecedor da área da Saúde, então poderá contribuir, e muito, para colocar o bonde nos trilhos, mas contaram para este Corvo que o prefeito Chico está seriamente pensando em acumular a pasta durante um período. É pra ver como o assunto é frágil e requer atenção. Pensa na quantidade de assuntos para se resolver, pois “Saúde” não é apenas cuidar da horta de pepinos do Hospital Municipal e postos de atendimento, é o combate à dengue, vacinação, saneamento, médicos nas casas das pessoas, farmácia para o povo, ações preventivas, reformas dos espaços… É muita coisa.

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GDIA