Luto

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Opinião
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Luto

Quando um amigo se vai, a dor nos consome. Ele se tornará lembranças; seu nome estará em papéis, seu rosto em fotografias, o número do seu celular estará gravado; vez ou outra ele reaparecerá, avivando a nossa memória que insiste em ficar guardada na caixa de retratos. É assim a vida, um irritante caso de separação, mas também é a ordem natural das coisas, pois começamos a morrer no dia em que nascemos. O caso é que nunca estaremos preparados. A Coluna do Corvo perdeu um dos seus maiores leitores e colaboradores, o grande Lyrio Bertoli, uma das figuras mais monumentais que esta cidade já possuiu, um gigante, independentemente da estatura física. Seu Lyrio olhou com firmeza e dedo em riste aos olhos frios da ditadura, meteu o dedo na ferida, falou de mano com ministros e presidentes da República. Este Corvo nem sabe como prestar homenagem para um homem assim, de tão importante, versátil e sábio. Estamos muito tristes com o falecimento do nosso querido amigo.

Continuidade
Voltando ao mundo como ele é, haverá continuidade nas investigações do caso que envolve a empresa Cristalink; o foco é o contrato polpudo para a prestação dos serviços de oftalmologia. Não vamos esquecer que ele foi assinado no governo da dona Inês e suspenso pelo Chico Brasileiro no final do ano passado. Taí o calcanhar do Aquiles flechado.

Serendipidade
Que palavrão é este? Palavrão no tamanho, pois em matéria de significado é um tanto profundo. O termo empregado pela juíza federal Flavia Hora Oliveira de Mendonça foi usado pelo Monteiro Lobato na serendipitia de Narizinho perante as descobertas afortunadas, aparentemente feitas por acaso. A alma do autor de O Sítio do Picapau Amarelo parece vagar pelo território fronteiriço. Esse serendipitismo será uma ocorrência virtual daqui em diante, sobretudo depois que o Cazuza abrir a boca. Ele estaria tentando um acordo de delação. Deus nos livre e guarde!

Pó de pirlimpimpim
Contaram para este Corvo que um conhecido cabo eleitoral da cidade procurou uma famosa casa boticária com uma receita inusitada. A farmacêutica ficou boquiaberta e não sabia se era uma troça ou ignorância da pessoa ao desdobrar um papelzinho em que estava escrito pó de pirlimpimpim, e o figura perguntou, com cara de inocente: “Isso dá para fazer aqui”?

Efeito
Vai ver a alma do Monteiro Lobato é fruto de algum estudo avançado lá pelas bandas do Bairro Cognópolis, daí essa influência coincidente com os recentes acontecimentos. Quem será o político que pediu ao serviçal para ir buscar o pó de pirlimpimpim na Botica? Quem necessitaria dos benefícios daquela poção de propriedades mágicas, que ao ser aspirada faz com que a pessoa desloque-se rapidamente flutuando de um lado a outro? Que barbaridade!

Acabou-se o que era doce
Parece que não terá volta, a União quer mesmo as estradas paranaenses. Mas contaram uma novidade para o Corvo: o Ministério dos Transportes quer criar uma nova agência nacional para regular a manutenção nas estradas e vai cobrar, sim, taxas de pedágio para mantê-las. O organismo será um dos mais ricos do país, pois possuirá orçamento próprio. Segundo confidenciou alguém que teria participado do projeto, a ideia foi adiante após os recentes escândalos no Paraná e coincidiu com a criação do Ministério da Segurança. Transportes e Segurança usarão parte do dinheiro para implantar tecnologias de controle e rastreamento. Que coisa, hein? A gente só queria estradas sem buracos.

Reparos
Corvo, levando em conta o movimento nos horários de pico e a largura das ruas em Foz, ficaria muito mais confortável para os motoristas caso os reparos no asfalto fossem feitos de noite ou de madrugada, como ocorre em muitas cidades grandes. Dá essa dica para o nosso honorável prefeito. Imagina que lindo seria o cidadão acordar, e o buraco simplesmente não mais existir, como num passe de mágica!
Marcella A. Faito

O Corvo responde: seu recado está publicado, prezada leitora. O Corvo sabe que para realizarem o serviço noturno há adicionais para os servidores, e em caso de terceirização isso precisa constar no processo de licitação.

Lambança
Impressionante o que fizeram no país em menos de 20 anos. Roubaram o cidadão e quando deveriam reverter as tarifas em obras sustentaram vagabundos corruptos, como um subterfúgio de continuar roubando. Será que alguma concessionária se animará em manter o cronograma de obras e os contratos até 2021? Difícil.

Reclamações na Saúde
O baú de insatisfações populares não deve ser um artefato fácil com o qual lidar na Câmara de Vereadores. Imagina a quantidade de pendengas, como é o caso das reclamações na Saúde, apreciadas recentemente? Aliás, lidar com as reclamações é quase uma arte, porque não dá mais para mentir nem adiar promessas. O que mais há em Foz ultimamente é reclamação, em todos os setores. São os efeitos do hecatombe reniniano.

Devolução
Por força de decisão judicial, a prefeitura terá de devolver quase R$ 3 milhões aos contribuintes, valor relativo recolhimento da taxa de bombeiros. Isso acontecerá em forma de desconto quando forem pagar o IPTU. Mas alguém garantiu ao Corvo que a operação de devolução não é tão simples como imaginam.

Artistas de rua
Prezado senhor Corvo, acho linda a performance desses malabaristas em alguns semáforos da cidade, tanto é que sempre tenho moedas no carro para ajudá-los. Mas bacana mesmo seria se tomassem um banho de vez em quando e as moças usassem uma calcinha pelo menos. Esses dias fui com o meu avô ao mercado, e o “veio” ficou todo acesso com os movimentos ousados da artista.
Maria Antônia dos Santos Dias

O Corvo responde: são várias as cartas sobre o desempenho dos artistas de rua. É uma situação difícil de coibir, proibir e limitar tais manifestações, afinal trata-se de expressão cultural. Mas no campo do comportamento, alguns requisitos devem ser cumpridos, como evitar a afronta ao pudor, por exemplo. E é verdade, falta um banho na moçada; a grande maioria dos artistas de rua é de países vizinhos como Bolívia, Argentina e agora Venezuela.

Virou moda
A exemplo da escolinha criada pelo empresário Abílio Diniz, que propõe peneirar pessoas de qualidade para o setor político, alguns partidos deram de usar artifícios semelhantes, o que seria uma forma de dizer ao povo que estão renovando, mudando, enfim, na tentativa de desgrudar a rejeição que paira sobre o segmento. A política nunca esteve tão em baixa como nos tempos atuais. Ser político é sinônimo de coisas que não são boas, na cabeça da população. O Novo, um partido político que propõe práticas diferenciadas, faz seleções do tipo “vestibulinho”, com fases a serem suplantadas pelos que se candidatam ao ambiente político.

Terceira fase
Como num game muito difícil, um empresário do ramo hoteleiro já suplantou a “terceira fase” do processo de seleção e é o primeiro a encarar o último obstáculo do dificílimo teste. Suplantada a quarta e derradeira etapa, ele estará apto à condição de pré-candidato! Segundo explicou um dos caciques da agremiação, a primeira etapa foi a do currículo, depois o candidato encarou uma prova de 30 questões, na qual ele se saiu bem. A fase atual é a da exposição da imagem. Francamente, isso tá parecendo concurso de miss.

O futuro
Este Corvo tem todo o direito de imaginar certas coisas: se a Escolinha do Professor Raimundo fosse escolher um candidato para disputar as eleições, faria algo bem semelhante ao que fez o Novo. As soluções sociológicas de fato surpreendem, e a história nos ensina por meio do esforço dos agrupamentos sociais na escolha dos menos burros. Tomara que isso nos ajude, por favor!

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GDIA